Terezinha Nunes - Deputada Estadual
   
 
 
 
Data: 31 de maio de 2007
Pronunciamento da Terezinha Nunes sobre o
crescimento do Recife

Há poucos dias, ocupamos esta tribuna para falar do crescimento do interior de Pernambuco, o que pôs por terra uma tese defendida na última campanha eleitoral, a de que o interior estava abandonado e só a Região Metropolitana crescia.

Hoje voltamos ao assunto, agora no sentido contrário. O de demonstrar nossa preocupação com outra questão, inversamente proporcional ao crescimento que vem se observando no interior do estado. É a involução econômica crescente que vem sendo verificada na cidade do Recife.

Segundo estudos da Agência Condepe/Fidem, Recife vem perdendo pujança econômica, no que se refere aos demais municípios do estado, desde o ano 2000.

Já há quem fale, como registrou esta semana o professor de economia da UFPE, José Carlos Cavancanti, na possibilidade de nossa capital estar passando por um fenômeno mais grave: uma recessão.

Se não vejamos. No ano 2000, segundo a Condepe/Fidem, a participação da nossa capital no PIB – Produto Interno Bruto - de Pernambuco era de 32,35%; em 2001 este percentual caiu para 31,65%, no ano 2002 caiu para 31,23%, no ano 2003 caiu para 30,20% e 2004, caiu para 29,94%. Não há ainda um resultado oficial do ano de 2005, mas, dificilmente, esta tendência foi revertida. O mesmo estudo citado aponta que nos últimos seis anos o Recife perdeu o equivalente a 5,57% de participação no PIB estadual, o que é preocupante.

Nesse mesmo período o estado de Pernambuco cresceu, em média, 3,2% ao ano. O que isto significa: que Pernambuco avança, mas o Recife involui.

Os economistas costumam dizer que um país, estado ou município se encontra em recessão quando se observa por dois ou mais trimestres consecutivos uma involução econômica. O Recife já se encontra há quatro anos consecutivos em declinio de suas atividades econômicas e, portanto, em recessão.

Ao se analisar com mais profundidade o que vem acontecendo com a economia recifense, observa-se que entre 1998 e 2004, na composição do produto interno bruto da nossa capital foi o setor industrial o que observou perda mais significativa. A indústria, que respondia em 1998 por 35,26% do PIB municipal regrediu para 34,14% em 2004.

Mas independente dessa composição pormenorizada, o que fica claro, através desses dados, é que, por acomodação, falta de planejamento, ou mesmo descaso em relação ao futuro de nossa capital, o Recife está ficando para trás.

Alguns poderão argumentar que isto é natural já que outros municípios do próprio Grande Recife, como Cabo e Ipojuca, estão sendo beneficiados pelos investimentos no Porto de Suape e municípios interioranos que já citamos aqui como Santa Maria da Boa Vista e Toritama, só para ficar nos anotados como dos que mais crescem no interior nordestino segundo a revista Exame, se encontram em maior dinamismo econômico, reduzindo a importância da capital no nosso PIB.

O que preocupa, porém, não é o fato de outros municípios estarem crescendo mais, até porque se o estado como um todo cresce, e isto vem ocorrendo, todos acabam se beneficiando. Mas é que Recife não venha observando um dinamismo econômico próprio, o que significa piores condições de vida para a sua população. E o impacto imediato de um declínio econômico em um município é, segundo os economistas, a perda do bem-estar de sua população.

Quando aqui desta tribuna rebatia no mês de fevereiro as informações de alguns colegas deputados que, sem informações concretas, diziam que o interior pernambucano estava regredindo, cheguei a argumentar que deputados como eu e outros colegas expressivamente votados no Grande Recife, mas, sobretudo, na capital, iríamos ter que reagir aos que defendiam investimentos só para o interior.

Não imaginava, sr. Presidente, sras. deputadas, srs. deputados que, muito mais cedo do que imaginava, isso viesse a ocorrer.

É necessário que, como faço agora, alertemos aos recifenses e cobremos do atual poder municipal providências para reverter esse quadro. Ou, pelo menos, um estudo sobre o fenômeno e pelo encaminhamento de soluções para esta questão.

Sob esse ponto de vista nunca é demais lembrar que nos últimos tempos a Prefeitura do Recife vem se debruçando muito mais sobre a discussão a respeito de shows, de celebrações, de festas, enfim, como se a economia não precisasse ser olhada e cuidada como qualquer outro setor. Não se tem conhecimento nos últimos seis anos de um só projeto do poder municipal, visando o dinamismo da economia recifense, o que é não só preocupante como descabido em uma capital tão importante, historicamente, como a nossa.

Durante a ditadura militar, de triste memória, o então ministro Delfim Neto disse, do alto de sua prepotência, que era preciso deixar o bolo crescer para depois dividir. Claro que estava errado e os efeitos estamos vendo aí com a enorme desigualdade social ainda existente no Brasil, nas é importante ressaltar que se a economia involui, se o município decresce, ao invés de crescer, algo está errado e o resultado é muito ruim para todos.

Pois no bojo disso vem o desemprego, a violência, a falta de perspectiva para uma juventude cada vez mais desiludida e descrente. Precisamos agir antes que seja tarde e que a involução do Recife não só prejudique a população aqui residente, mas, em efeito cascata, acaba contaminando o estado que tanto trabalho deu para voltar a ficar de pé.

   
 
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Jornalista responsável Margarette Andrea