Data: 28 de maio de 2009
Discurso sobre o início da operação do Banco Gerador
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, faz esta sexta-feira, no Recife, sua primeira palestra em nosso estado desde que assumiu o posto. Um presidente do BC só costuma se deslocar de Brasília quando o motivo é especial. E é, sem dúvida alguma, especial e significativa a agenda que ele cumprirá entre nós.
Henrique Meirelles vem a Pernambuco participar da solenidade que celebra o início de operação de um banco pernambucano: o Banco Gerador. Um banco que vem ocupar uma lacuna que se abriu no meio empresarial e financeiro estadual há alguns anos quando perdemos os dois importantes bancos privados estaduais: o Banco Mercantil, do grupo Armando Monteiro, e o Banco Nacional do Norte – Banorte, da família Batista da Silva. A orfandade que nos atingiu após o fechamento dessas duas instituições calou fundo na alma pernambucana.
Causa euforia, portanto, sabermos agora que os empresários pernambucanos conseguiram tornar real uma parceria destinada a colocar Pernambuco de volta ao cenário no mercado financeiro estadual e nacional quando não mais acreditávamos nesta possibilidade.
O Banco Gerador é o único banco privado com sede no Norte e Nordeste que tem capital de empreendedores da própria região. Sediado no Recife e com o objetivo de fomentar empresas de pequeno e médio porte, o banco tem como missão levar os serviços financeiros às regiões economicamente menos desenvolvidas do país, estimulando, assim, o desenvolvimento sustentável.
Tem em seu portfólio de atuação, entre outros serviços, o suporte às empresas familiares da região que pretendem fazer fusões, aquisições, reestruturações acionárias e capitalização; a prestação do serviço local de condutor de operações para grandes clientes; a assessoria financeira; e a oferta de linhas de crédito consignado a empresas privadas e órgãos públicos.
O desafio de dirigir a instituição ficou nas mãos do jovem economista Paulo Dalla Nora Macedo, de apenas 33 anos, mas com mais de 10 anos de experiência em cargos de direção de grandes empresas nacionais e internacionais.
A idéia do banco surgiu em meados de 2007, através da percepção dos seus sócios de que, apesar do Nordeste e, mais especificamente, Pernambuco, estarem apresentando um crescimento macroeconômico maior que o do Brasil, as suas empresas familiares – o peso da economia regional – e as necessidades de crédito da emergente classe C, não estavam sendo atendidas por nenhum banco de origem local.
Essa carência e conseqüente falta de penetração bancária pode ser comprovada através de dados de 2007, do IBGE e do Banco Central, que mostram que a média do valor de crédito tomado por habitantes dessas regiões fica abaixo de R$ 1.000,00, enquanto que a média do Brasil fica um pouco acima de R$ 4.500.
Uma verdadeira contradição. Afinal, essas famílias e empresas necessitam de um apoio para a sua expansão de um banco que conheça as particularidades estratégicas e as vantagens comparativas dessas regiões. E é para mudar esse cenário que surge o Banco Gerador, com o papel de identificar oportunidades para as empresas no mercado local, funcionando como catalisador do seu desenvolvimento.
Depois de passar por um processo de oito meses de avaliações, o início de suas atividades foi autorizado pelo Banco Central, em fevereiro deste ano. A instituição possui um capital inicial de 24 milhões, prevendo fechar o ano com R$ 100 milhões em investimentos e 50 milhões em empréstimos no Crédito Consignado.
Nossos aplausos a esta iniciativa de alta relevância para o desenvolvimento econômico e social de nosso Estado, que precisa e merece receber grandes investimentos como o Banco Gerador. Pernambuco só tem a ganhar e, desta forma, estou apresentando um voto de aplauso aos empreendedores que colocam Pernambuco no centro financeiro nacional.
Muito Obrigada.
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