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Data: 22 de maio de 2007
Pronunciamento sobre Segurança Pública e o sociólogo
colombiano Hugo Acero
Caros(as) Deputados(as),
Pernambuco teve o fim de semana mais violento desde o início
do mês. Pelo menos 50 pessoas foram assassinadas, subindo
para 215 o número de homicídios desde o início
do mês de maio, segundo o blog PEBodyCount. Os números
apresentados pela Secretaria da Defesa Social apontam no mesmo
sentido. De janeiro a abril deste ano, 1.704 pessoas foram
assassinadas no estado, contra 1581, no mesmo período
de 2006. Houve, portanto, nos quatro primeiros meses deste
ano 123 mortes a mais que no ano passado. De março
a abril, ainda de acordo com a SDS, verificou-se uma redução
de 17,8% nos homicídios, mas não há,
infelizmente, motivo para comemoração, a não
ser que esta tendência se consolide daqui para a frente.
Ao contrário desta situação, Bogotá
que, há pouco mais de dez anos era conhecida como a
metrópole mais insegura das Américas, hoje saiu
de uma situação crítica de violência
urbana; é uma cidade segura e cheia de auto-estima,
com seus habitantes podendo aproveitar suas ruas, ciclovias
e passarelas. Merecidamente, nos últimos quatro anos
recebeu três prêmios internacionais em reconhecimento
aos avanços registrados no combate à criminalidade,
sendo os mesmos conferidos pelo Programa das Nações
Unidas para o Desenvolvimento – PNUD; pela Organização
Mundial da Saúde – OMS; e pela Organização
das Nações Unidas para a Educação,
Ciência e Cultural – UNESCO.
O sociólogo colombiano Hugo Acero que conduziu a Secretaria
de Segurança da Prefeitura de Bogotá de 1995
a 2003 foi o principal responsável por esta transformação.
O mais significativo efeito de sua gestão foi a redução
na taxa de homicídios que, em 1995, era de 80 por 100
mil habitantes, para 18 por 100 mil habitantes em 2003. Atualmente,
Hugo Acero é consultor do Programa das Nações
Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), tendo já apresentado
o êxito de sua experiência para platéias
de 25 países e, convidado pela Comissão de Defesa
da Cidadania desta Casa, apresentará nesta quarta-feira,
palestra sobre sua gestão às 9 horas no auditório
do 6.o andar.
Sua principal inovação foi trazer também
para os municípios a responsabilidade quanto à
segurança pública, assumindo o enfrentamento
da violência e encarando isso como uma oportunidade
e não como um problema a mais para a gestão.
Uma de suas primeiras ações foi à adoção
da lei seca na qual todos os estabelecimentos comerciais da
cidade que vendiam bebida alcoólica à 1h foram
fechados e, conjuntamente, grandes blitzes foram realizadas
em todo o município para abordar os motoristas e multar
aqueles que estivessem dirigindo alcoolizados. Atualmente
a Lei Seca apenas vigora nos bairros que apresentam índice
alto de criminalidade. Houve também mudanças
na polícia, porém, o que fez realmente diferença
foram os investimentos no cidadão.
A violência foi assumida como uma epidemia e tratada
desde da assistência individual até a coletividade.
As favelas de Bogotá receberam muitos investimentos
de infraestrutura e educação de qualidade através
da construção de escolas de primeiro mundo para
as pessoas mais pobres. As crianças saíram das
ruas e foram obrigadas a freqüentar as salas de aula.
É de ser ressaltado que todas essas mudanças
se deram com o respaldo na Lei Constitucional que, em 1991,
colocou o comando da polícia nas mãos dos prefeitos.
Experiências como essas deixam claro ser possível,
com determinação e planejamento, acabar com
o medo nas ruas, devolvendo às pessoas o direito de
desfrutar plenamente os espaços públicos e de
convívio social, fazendo com que a cidade se torne
novamente atrativa para seus moradores e visitantes. Embora
tenha especificidades próprias, Bogotá tem sido
um exemplo a ser seguido para cidades, estados e países
onde a criminalidade cresce dia a dia, como é o caso
do Brasil. De forma que vale a pena ouvir o que nos tem a
dizer o Dr. Hugo Acero. Contamos com a presença de
todos.
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