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Data: 21 de agosto de 2007
Pronunciamento em comemoração dos 40 anos da Renovação Carismática
Uma igreja que não se renova, envelhece. Uma igreja que não encanta os jovens, corre o risco de perder o vigor e até desaparecer. Uma igreja que não dá aos seus fiéis um motivo a mais para se alegrar, para acreditar, para se elevar em busca de Deus, não merece ser chamada de Igreja.
Estas frases, seguramente, não estão agrupadas em nenhum compendio, em nenhum artigo, em nenhuma reportagem, mas certamente pontuaram a imaginação das pessoas que há exatos 40 anos, em fevereiro de 1967, na Universidade de Duquesne, na Pensilvânia, Estados Unidos, durante um final de semana de retiro espiritual, iniciaram um movimento de renovação da Igreja Católica, batizado de Renovação Carismática.
Após aquele final de semana, o catolicismo não foi mais o mesmo. Respondendo à preocupação de vários papas e as recomendações do Concílio Vaticano II, que pregou a busca de uma nova forma de levar Jesus às pessoas, a Renovação Carismática surgiu como uma labareda no meio do capim que começava a murchar nas portas dos tempos católicos em todo o mundo.
De lá para cá, o movimento vem ganhando força, sendo hoje celebrado como o mais novo caminho da Fé e da Esperança, virtudes tão ausentes do mundo moderno. Voltada a uma experiência pessoal com Deus, através do Espírito Santo, ele busca uma nova abordagem nas formas de evangelização e renovar as práticas adicionais dos ritos e da mística católicos. O resultado é que fazia muito tempo que não se via tantos jovens entusiasmados e em busca de Deus nos templos católicos.
A pensadora católica Monique Herbrard, falando sobre o surgimento da RCC disse, há poucos anos, “ela explodiu ao mesmo tempo em todos os cantos da terra e em todas as igrejas cristãs, sem que se saiba muito bem como é que o fogo se ateou”.
Na verdade, apesar de ter surgido de forma organizada nos Estados Unidos a Renovação Carismática, como todo movimento revolucionário brotou quase simultaneamente em todos os recantos da terra onde a igreja está presente.
E não poderia ser diferente. Afinal ela estava latente no seio da igreja católica há mais de um século. Em 09 de maio de 1897, por exemplo, o papa Leão XIII publicou a encíclica Divinum Illud Munus sobre o Espírito Santo, abrindo caminho para o século XX que, no seu entendimento, deveria ser “o século da Igreja”. O papa João XXIII, inspirador do Concílio Vaticano II, falava da presença libertadora do Espírito Santo e da necessidade de renovação da vida da Igreja e dos batizados. Para ele, o Espírito de Deus no seio da Igreja deveria ser uma “abertura de janelas”, uma luz rumo ao aprofundamento da fé e ao fortalecimento da religiosidade.
Em 1965, o papa Paulo VI, no mesmo caminho dos antecessores citados, encerrava o Concílio Vaticano II, na Praça de São Pedro, com iguais pensamentos e os mesmos propósitos.
Com raízes tão profundas, a RCC não poderia deixar de ser, como verdadeiramente é, o resgate da Igreja dos primeiros tempos, onde era constante o uso da invocação do Espírito Santo. Sua célula são os Grupos de Oração que atuam com originalidade, espontaneidade, simplicidade e liberdade. Não se trata de uma Igreja dentro da Igreja, como alguns críticos chegaram a pontuar, mas é a Igreja em Movimento.
Como nas primeiras comunidades cristãs, para as quais o Espírito Santo não era uma abstração teológica, mas vida força, orientação, entusiasmo, a Renovação revigorou na Igreja Católica a possibilidade de transformar intenções em ações efetivas, participando mais ativamente dos carismas da Igreja. O louvor católico passou de um momento individual, para uma celebração coletiva, preencheu seus fiéis de espiritualidade e maior motivação na busca da conscientização de uma sociedade mais pacífica e igualitária.
Uma luz para um mundo globalizado onde as aldeias se uniram a um todo ligado pela comunicação, pela troca de idéias, pelo despertar espiritual, tão necessário e, ao mesmo tempo, tão ausente.
No Brasil o movimento chegou pouco depois de criado. No princípio da década de 70, os padres Haroldo Joseph Rahn e Eduardo Dougherty, iniciaram uma célula da RCC em Campinas, São Paulo.
Mas a grande expansão do movimento carismático em nosso país se deu nos anos 90. Hoje ele está organizado em todos os estados e no território de Fernando de Noronha com 285 coordenações em funcionamento.
A RCC chegou a Pernambuco através da Ir. Lúcida que participou em Salvador de uma experiência de oração, orientada pelo padre Eduardo Dougherty. Nos dias 26 a 28 de junho de 1975, no Colégio das Irmãs Beneditinas em Olinda, uma experiência de oração comandada, a pedido da Ir Lúcida e conduzida pelo padre Dougherty, introduzia, oficialmente, a Renovação entre nós.
Em setembro de 1977 foi constituída a primeira equipe de serviço da RCC na Arquidiocese de Olinda e Recife, abençoada por D. Helder Câmara e encarregada de assegurar a comunhão entre os grupos já existentes, promover aprofundamentos e responder pela RCC perante a igreja local e a Comissão Nacional.
Foi constituída pelo padre Waldenito de Oliveira, padre Jaime Trudel, Irmã Almeida, Eduardo Souza, Agostinho Soares, José de Moura e Adolfo Faceiro de Lima.
Nesses 40 anos da RCC, que hoje a Assembléia Legislativa comemora através desta sessão solene, prestamos homenagem aos pioneiros de lá atrás, os Papas Lelão XIII, João XXIII e Paulo VI, e aos mais recentes como os padres Haroldo e Dougherty, o padre Jonas, o padre Marcelo Rossi, padre Waldenito, padre Abelardo, padre Jaime, aos leigos pioneiros e atuais e à nossa querida Harriete Farias, coordenadora da RCC no estado, onde mais de 50 mil pessoas, sendo 10 mil na Região Metropolitana, fazem de Pernambuco uma chama viva da Renovação Carismática e um constante motivo para solicitarmos ao Espírito Santo que verdadeiramente habite entre nós.
Muito obrigada.
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