Terezinha Nunes - Deputada Estadual
   
 
 
 

Data: 20 de abril de 2009
Discurso sobre a Festa da Pitomba


O município de Jaboatão dos Guararapes viveu, neste final de semana, o ápice da sua principal festa cultural e histórica, realizada em homenagem a Nossa Senhora dos Prazeres, padroeira do município e que ficou conhecida popularmente como Festa da Pitomba, por ocorrer na época em que a pitomba está em plena safra em nosso estado.

Este ano a festa foi a de número 352, ou seja, existe desde 1657. Claro que na época do Brasil Colônia ela era apenas religiosa e acontecia em torno da Capela-mor de Nossa Senhora dos Prazeres, mandada construir, logo após a expulsão dos holandeses, pelo comandante das tropas, o general Francisco de Menezes, justificando que Nossa Senhora havia aparecido para os soldados que lutaram e expulsaram os holandeses do território nacional, ajudando a surgir, a partir daí, a pátria brasileira.

Ele próprio deixou escrito no documento em que mandava erguer a capela, hoje Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres, que todos os anos deveria se celebrar a data e exaltar a conquista conseguida naquela época.

Com o tempo, a festa, que ainda hoje ocorre nos Montes Guararapes, agora transformado em Parque Histórico Nacional dos Guararapes, passou a ter mais uma característica profana do que religiosa e concentrou nos dias de sua realização uma síntese da riqueza cultural pernambucana quando lá se encontravam artistas populares, maracatus, caboclinhos e clubes de frevo.

De tão famosa, a festa chegou a inspirar o compositor Martinho da Vila a imortalizá-la através de uma canção que diz “Jangadas ao mar, pra comprar lagosta pra levar pra festa, em Jaboatão. Vamos preparar, lindos mamulengos, pra comemorar a libertação.”

Pois bem, a promoção perdeu muito nos últimos anos quando virou muito mais uma festa qualquer, onde bandas que nada tinham a ver com o espírito da festividade se apresentavam, deixando um rastro de desolação na população jaboatonense.

Este ano, porém, a Festa da Pitomba renasceu através do empenho do prefeito Elias Gomes que voltou a lhe dar a característica popular, histórica e cultural que lhe é própria. Maracatus, Caboclinhos, grupos de frevo, de ciranda, mamulengueiros, repentistas, bandas de pífano se apresentaram no local, em clima de comemoração, exaltação e paz.

Os shows continuaram a ocorrer, só que agora com os nossos músicos e compositores tradicionais, como Dominguinhos, Reginaldo Rossi, Josildo Sá, Alcimar Monteiro, Zé Rocha, Orquestra da Bomba do Hemetério, Conjunto Pernambucano de Choro, entre outros. Oficinas de produção de brinquedos, feitos com papel reciclado, desenhos, artesanato, instrumentos de percussão aconteceram durante o dia para atender aos jovens carentes do município que se concentraram no local onde o Exército também instalou equipamentos de esportes radicais, além de exposição sobre os feitos da Restauração Pernambucana.

Feiras de produtos artesanais também aconteceram onde foram vendidos objetos feitos pelo povo de Jaboatão e expostos folhetos de cordel. O prefeito Elias Gomes pretende nos próximos anos fazer da Festa da Pitomba, que é a mais antiga com este perfil no estado, uma celebração da cultura pernambucana ainda mais expressiva do que aconteceu este ano. Pelo que lá presenciamos em termos de renascimento de uma das nossas principais tradições, solicito a esta casa voto de aplausos ao prefeito e a sua equipe pela grande contribuição dada à cultura e à história de Pernambuco com tão importante iniciativa.

   
 
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Jornalista responsável Margarette Andrea