Terezinha Nunes - Deputada Estadual
   
 
 
 

Data: 16 de maio de 2007
Pronunciamento sobre desenvolvimento do Interior de Pernambuco

PEm diversas ocasiões este ano, discutiu-se, neste plenário, sobre o nível de desenvolvimento do Interior de Pernambuco, o que gerou debates acalorados. Todos no sentido de querer provar uma tese: a de que, nos últimos anos, o Interior havia sido abandonado e o crescimento ficado todo na Região Metropolitana. Pareceu, em um primeiro momento, que apenas a enunciação das obras, grandes e pequenas, feitas no interior nos últimos oito anos não conseguiu calar os nobres colegas defensores da tese do abandono interiorano.

Pois bem, Sr. Presidente, ocupo a tribuna esta tarde para, com base em análises e estudos especializados, mostrar o contrário.

Em sua mais recente edição, a Revista Exame traz uma reportagem alentadora para o Nordeste e Pernambuco. Com o título "Nordeste, onde o Brasil cresce mais rápido", a jornalista Carolina Meyer diz que, com base na estabilidade do Plano Real, no fluxo de empresas provocado pela guerra fiscal e nos esforços desenvolvimentistas feitos pelos governos locais, o Nordeste vem crescendo mais do que o Brasil desde 2001 e, dentre os Estados nordestinos, os que mais crescem são Bahia e Pernambuco.

A revista produziu um mapa regional com o destaque das áreas que mais crescem nos estados e conclui que o crescimento tem se dado mais no interior. No caso particular de Pernambuco informa que municípios como Cabo de Santo Agostinho e Santa Maria da Boa Vista vêm crescendo a taxas de 10% ao ano e Toritama a taxas de 15% ao ano, ao nível dos tigres asiáticos. Abrigamos hoje três dos dez municípios interioranos que mais crescem na Região. E desses, só o Cabo de Santo Agostinho fica na Região Metropolitana, os outros são interioranos.

Revelando a pujança do Porto de Suape, apontado também com indutor do crescimento pernambucano, afirma a jornalista Carolina Meyer "Em torno do Porto de Suape, em Pernambuco, ergue-se um conglomerado de indústrias que não pára de crescer. São 74 empresas que geram 6 mil empregos e produzem de refrigerantes a produtos químicos".

Pois bem, Sr. Presidente, colegas deputados, a expressividade do crescimento interiorano não ficou só nas revistas sérias como a Exame. Em recente tese de mestrado em Gestão Pública da UFPE, a técnica Suely Jucá Maciel, demonstra que a alegação de que o crescimento ficou concentrado no Grande Recife – onde moram quase 50% dos pernambucanos, diga-se de passagem – não é real.

Em levantamento que fez sobre o PIB de Pernambuco, no período que vai de 1998 a 2003 – sabemos que de 2004 a 2006 os números foram ainda melhores - das 12 regiões de desenvolvimento em que o nosso Estado está dividido, seis cresceram mais que a Região Metropolitana.

Enquanto o Grande Recife cresceu 2.6%, o Sertão do São Francisco cresceu 7,8%, o Sertão do Pajeú cresceu 6,7%, O sertão do Moxotó – 4,3%, o Agreste Setentrional - 4%, o Agreste Meridional – 3,1% e o Sertão Central 3%. A Região Metropolitana ficou, portanto, em sétimo lugar no ranking das regiões pernambucanas.

A taxa média de crescimento do Estado foi de 2,66%, sendo que, no geral, a Região Metropolitana cresceu 2,60% e o Interior 2,76%.

Até no Grande Recife houve desconcentração. A capital Recife concentrava em 1998 35,5% do PIB estadual. Hoje concentra 30,2%. Os demais municípios metropolitanos, que agregavam 28,3% do PIB estadual, agora agregam 33,2%.

No caso particular de Pernambuco houve e muito esforço local para que isso acontecesse e a lógica da concentração do desenvolvimento começasse a ser derrubada. E para tentar por fim a uma tese que também foi muito repetida nos últimos tempos: a de os investimentos feitos nos últimos oito anos só beneficiaram ou beneficiaram sobremaneira a Região Metropólitana trouxe aqui a tabela do Condepe sobre os investimentos feitos no estado pelo Poder Público Estadual entre 1999 e 2002, no auge da aplicação dos recursos oriundos da venda da Celpe.

Pois bem, novamente cai a tese do concentracionismo tão repetida ultimamente. Dos R$ 3 bilhões e 125 milhões investidos no período, menos de metade beneficiou o Grande o Recife. Em termos per capita, investiu-se no Grande Recife R$ 457,00 por habitante, quando no Agreste Central foram investidos R$ 603,00 por habitante e na Mata Sul R$ 388,00, no Sertão do Moxotó 380,00, no Sertão do Araripe R$ 339,00 e no Sertão do Pajeú R$ 336,00.

Diga-se de passagem, que na administração passada Pernambuco contou, pela primeira vez, com um planejamento estratégico não só no Grande Recife, mas também no interior, tendo como carro-chefe o Programa Governo nos Municípios. Foi através dele que o estado foi dividido em 12 Regiões de Desenvolvimento e que se pode hoje saber exatamente o que foi feito e distribuído nessas áreas. Este trabalho que se encontra na Secretaria de Planejamento e na Fidem são de fundamental importância agora que o Governo atual anuncia seu interesse de também rumar para o interior

E não encontrará apenas a divisão geográfica e os estudos socioeconômicos sobre essas áreas, também estão pontuados os investimentos feitos em cada uma e as prioridades definidas pela população depois de muitos levantamentos e extensos debates realizados nas plenárias do programa.

   
 
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Jornalista responsável Margarette Andrea