Terezinha Nunes - Deputada Estadual
   
 
 
 
Data: 14 de junho de 2007
Pronunciamento da deputada Terezinha Nunes sobre segurança pública

O Estado de Pernambuco foi alvo de uma campanha eleitoral no ano passado, baseada em duas premissas falsas: a de que o interior se encontrava abandonado, sem crescimento, em detrimento da Região Metropolitana e a de que o governo de então não estava combatendo a violência como deveria. O atual governador chegou a dizer, no auge da campanha, que assumiria o combate ao crime pessoalmente e resolveria a questão.

Aqui desta tribuna, apresentando dados do Condepe/Fidem, conseguimos desmistificar a questão do crescimento, mostrando que, ao contrário do que foi dito na campanha e repetido, o interior pernambucano está crescendo mais do que a Região Metropolitana. Muito mais.

Hoje, venho aqui falar da outra questão e por um motivo muito simples. O governador Eduardo Campos, cobrado pela sociedade, mudou o discurso que fez em 2006. Anteontem, ao contrário do que fazia na campanha, disse que a violência é um problema de todo o País e que a culpa é das elites e dos mais de 30 anos que o Brasil ficou sem crescer suficientemente para gerar empregos para os jovens.

Ora, colegas deputados, então não são mais os ex-governadores Jarbas Vasconcelos e Mendonça Filho os responsáveis como se dizia até mesmo depois da posse? Certamente que não, sabíamos nós, sabem eles agora. E a população não está mais aceitando a política de governar pelo espelho do retrovisor.

O que mudou na segurança desde janeiro? Mudou, infelizmente, para pior. Os criminosos estão cada vez mais afoitos. Já se assaltam igrejas, como aqui denunciou um dos deputados da base do Governo, o pastor Clayton Collins, e até os frequentadores dos bem guardados estacionamentos dos shoppings, como aqui mostrou esta semana o deputado oposicionista Antonio Morais, ele próprio profundo conhecedor da área de segurança.

Não se vê mais nenhuma viatura da polícia nas ruas. O secretário de defesa social, que esteve na Assembléia e se irritou com as cobranças do Ministério Público, disse que a culpa era do governo anterior, mas se apressou a anunciar que a polícia não teria mais viaturas e que haveria terceirização dos serviços. Só que a sociedade não pode esperar. Ou se consertam as viaturas, ou se compra novas ou se resolve de vez a questão da terceirização. O que não pode é com tão altos índices de violência, a polícia estar a pé.

Enquanto isso, o número de mortos só aumenta. De janeiro a maio foram assassinadas 2.097 pessoas no estado, um aumento de 7% em relação a 2006. No último final de semana, tivemos o período mais violento do ano com 54 mortos.

E o governo o que tem feito? Só discutir, infelizmente. E mal. O Pacto pela Vida ainda não saiu do papel e o especialista Luís Raton desculpou-se esta semana que as estatísticas não estavam sendo acompanhadas porque faltava formar um conselho. Mas os bandidos continuam desafiando. E a população vai perdendo a paciência. Quem não se estarreceu ao ver o cemitério de cruzes pretas na semana passada em Boa Viagem?

Não queremos aqui atirar pedras no Governo e nem torcer pelo pior. Mas a situação é estarrecedora.

E o mais preocupante é que o Governo não parece estar tomando as medidas necessárias para reduzir os assassinatos. E não é a oposição que diz isso. Esta semana a especialista da Fundação Joaquim Nabuco, pesquisadora Rodinalva Melo, afirmou que o Governo não vem adotando três linhas necessárias no combate imediato aos crimes como, a melhoria dos métodos de investigação, a repressão ao porte ilegal de armas e a intervenção social nas áreas de risco. Ninguém a contestou.

Agora, senhores e senhoras deputadas, o que dizer do crescimento economico, cobrado pelo governador? Só esta semana, diga-se de passagem e não na campanha, quando culpava o governo anterior. Certamente que para não macular seu padrinho, o presidente Lula.

Continuamos, na área do crescimento, ao nível do Haiti e já se vão quatro anos e meio de mandato do atual presidente. Considerando os altos índices de crescimento em todo o mundo e a maré a favor da economia mundial, o Brasil está perdendo o bonde da história e queira Deus que o governador não tenha razão quando reputa a falta de crescimento como um dos principais fatores que explicam a escalada de violência. Se for assim teremos que amargar mais tres anos e meio de calamidades nas grandes cidades brasileiras até que apareça um presidente capaz de fazer nossa economia deslanchar e o emprego crescer.

   
 
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Jornalista responsável Margarette Andrea