Terezinha Nunes - Deputada Estadual
   
 
 
 
Data: 13 de setembro de 2007
Pronunciamento sobre Hospital Agamenon Magalhães

Há um mês, a Secretaria de Saúde, alertada pela Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária (Apevisa), interditou a UTI-geral de adultos do Hospital Agamenon Magalhães ao se constatar a presença no local de uma bactéria multirresistente a antibióticos, a Enterococcus faecum, com a infecção de 17 pacientes, sendo seis da UTI.

Este problema já vinha sendo identificado na unidade hospitalar desde o mês de março mas ainda restrito a um paciente. No dia 31 de julho, novos casos foram constatados e, devido ao alto contágio da bactéria citada, optou-se pela interdição da UTI.

De lá para cá, porém, um silêncio tomou conta do noticiário sobre o caso. Nada foi dito e nem relatado pelas autoridades públicas a respeito do assunto. Nem no sentido de dar um balanço sobre o acontecido, com número de pacientes atingidos, o quadro dos mesmos e a alta que receberam, nem foi informado se a UTI continua interditada ou não.

A única informação que surgiu foi dada pelo Blog de Jamildo, relatando que enfermeiros do hospital haviam confidenciado que o problema teria surgido através do material de limpeza utilizado no hospital, o que é altamente preocupante. Inclusive, essas mesmas fontes, segundo o jornalista, haviam relatado que a diretoria do hospital preventivamente decidira suspender o uso dos detergentes que poderiam ter causado o problema pois tinham chegado ao local com cheiro estranho.

É impressionante como, diante de um relato desses, nenhuma autoridade pública tenha dado qualquer explicação sobre o caso. O que nos leva a desconfiar de que algo estranho possa ter acontecido em torno da fiscalização da vigilância sanitária estadual naquela unidade hospitalar. Não desejo aqui levantar suspeitas, mas não posso deixar de mostrar minha perplexidade face ao silêncio que hoje permeia este assunto.

Precisamos e temos obrigação de buscar saber o que realmente aconteceu. Se houve descuido, imprevidência, enfim, como e porque todos aqueles pacientes foram infectados de forma grave, já que a bactéria nunca tinha se apresentado na forma com que se apresentou no estado de Pernambuco.

O gerente geral da Apevisa, Dr. Jaime Brito, pessoa da mais alta competência no assunto, disse à imprensa no dia 13 de agosto que a bactéria era altamente contagiosa e que a forma mutante, constatada entre os pacientes do Agamenon, era resistente até mesmo ao antibiótico vancomicina, utilizado para tratamento específico de doentes que apresentam este tipo de microorganismo.

O diretor do hospital, Dr. Antonio Trindade, chegou a falar em "barreira física" para separar os doentes dos demais pacientes, dizendo ser a bactéria "altamente contagiosa", com a transmissão sendo realizada pelo contato, principalmente, pelas mãos.

O Dr. Jaime Brito informou à imprensa que a mesma bactéria teria sido encontrada no mês de julho no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo e as medidas tomadas teriam sido radicais com a proibição de novas internações, restrição ao fluxo de pacientes, isolamento dos doentes e criação de um comitê de controle interno.

Ora, se chegamos a algo tão grave e preocupante, por que o silêncio das autoridades de saúde? O que realmente aconteceu? Quem são os culpados? Como foi feita a investigação? Que medidas foram adotadas?

Diante disso estou apresentando a esta casa um pedido de informação ao secretário de Saúde, Dr. Jorge Gomes, que, espero, seja respondido o mais rápido possível. Mesmo entendendo que, no caso de saúde pública, muitas vezes é preciso se manter numa certa reserva para evitar pânico, não há como tergiversar. Afinal, estamos lidando com a vida das pessoas e a oposição tem obrigação de fiscalizar os fatos vindos a público para que medidas sejam adotadas e se evite a repetição dos mesmos.

   
 
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Jornalista responsável Margarette Andrea