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Data: 13 de agosto de 2007
Pronunciamento Circuito do Frio
Durante oito anos, até 2006, o interior de Pernambuco, sobretudo as chamadas cidades frias, aquelas cuja temperatura fica muito amena nesta época, experimentaram períodos de efervescência turística durante o mês de julho e parte do mês de agosto. Embaladas pelo chamado Circuito do Frio, uma marca que ganhou notoriedade, sendo seguidamente citada pela imprensa do sul, essas cidades receberam incentivos fortes do Governo do Estado e passaram a fazer parte da programação oficial de cultura e turismo do estado, atraindo milhares de visitantes.
No ano de 2006, foram injetados na economia desses municípios R$ 40 milhões por cerca de 1 milhão de visitantes, atraídos pela programação cultural e artística. Cursos, shows, oficinas, representações cênicas e literárias movimentaram por completo cidades como Garanhuns, Gravatá, Taquaritinga do Norte, Triunfo e Pesqueira, havendo a expectativa de que este ano a Região Metropolitana passasse a fazer parte do cicuito através de Camaragibe, por causa do clima de Aldeia.
Para se ter uma idéia da importância econômica do Circuito do Frio, em 1999, o seu primeiro ano, ele proporcionou uma injeção de R$ 18 milhões na economia das regiões frias do estado, chegando, portanto a dobrar sua representantatividade econômica em oito anos. Dados da Empetur revelam que 7 mil empregos diretos e indiretos eram gerados nos municípios citados durante os meses de execução do projeto.
A idéia foi, inclusive, pelo seu ineditismo e sucesso, copiada por estados vizinhos como a Paraíba que também criou um circuito do frio estendendo-o pelos municípios de Bananeiras, Areia, Pilões e Lagoa Grande.
Nas esteira do circuito pernambucano que conseguiu “vender” a todo o Brasil a idéia de que Pernambuco também tem sua estação fria, jornais como O Globo, O Estado de São Paulo e a Folha de São Paulo passaram a dedicar páginas e mais páginas de seus cadernos de turismo no mês de julho para exaltar a promoção, destacando a cidade de Garanhuns como o centro e principal palco do turismo serrano no Nordeste.
Este ano, infelizmente, para surpresa de todos, a atual administração estadual abandonou o projeto, deixando várias cidades sem a promoção, o apoio e, sobretudo, a divulgação que vinham tendo a nível local e nacional. A única exceção foi Garanhuns, cujo Festival de Inverno continuou sendo apoiado mas de forma menos expressiva que nos anos anteriores.
A falta de divulgação estadual, regional e nacional, inclusive, acabou afetando Garanhuns que não experimentou este ano a mesma efervescência de anos atrás a ponto de não ter figurado, pela primeira vez em oito anos, na imprensa do sul como a meca do turismo de inverno da região Nordeste.
Em 2006, por exemplo, Garanhuns recebeu em dez dias 110 atrações musicais, 12 peças de teatro, 30 grupos de dança, 26 grupos de arte popular, seis de circo e se beneficiou com 26 oficinas culturais.
Há que se destacar que, pelo menos em alguns desses municípios, a Fundarpe anunciou o apoio a festas locais realizadas no período, como uma forma de compensação pelo fim do Circuito do Frio. Essa iniciativa, porém, não tem, nem de longe, a mesma significação. Um programa estadual, intensamente divulgado, atrai muito mais visitantes do que festas locais em municípios que não contam com os grandes meios de comunicação para chegar até as pessoas interessadas em fazer turismo no próprio estado ou fora dele.
O que mais preocupa, porém, é o descaso da Fundarpe com as manifestações culturais e turistas do interior, como já denunciamos nessa tribuna. O problema ficou patente nas festas juninas. Enquanto municípios como Gravatá, que faz seguramente a segunda maior festa de São João de Pernambuco, ficaram a ver navios, recebendo apenas R$ 50mil de oferta para ajudar na grande promoção que realiza, municípios que não tem tradição junina receberam até R$ 150 mil.
É preciso saber, e aqui cobramos mais uma vez, o que afinal passa pela cabeça dessas pessoas que estão planejando o apoio aos municípios do interior, no que se refere ao turismo e cultura. Muito se alardeou sobre a ajuda a Caruaru, que foi igual à concedida na administração anterior, como se o governador tivesse feito uma concessão à oposição ao fazer parceria com o maior município governado pela oposição no interior.
E onde ficam os demais municípios? Por acaso eles não são igualmente habitados por pernambucanos? Claro que sim mas como ficaria muito difícil para o Governo explicar o abandono a Caruaru se usou a festa Caruaruense como pano de fundo para encobrir a discriminação aos demais municípios. Assim como se usou, na época da estação fria, o município de Garanhuns para encobrir o abandono do Circuito do Frio.
Esse tipo de postura, típico da baixa política, das coisas pequenas que tinha sido banido do estado na gestão do governador Jarbas Vasconcelos, infelizmente está voltando e muito mais cedo do que se poderia imaginar.
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