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Data: 07 de março de 2007
Pronunciamento da deputada Terezinha Nunes sobre Educação
Os resultados do ENEM 2006, que mostram como vem evoluindo
o nível do ensino público no Brasil, trouxeram
um forte alento para o Estado de Pernambuco. Enquanto no Brasil
como um todo o ENEM demonstrou uma queda no nível de
ensino entre os anos de 1995 e 2005, apesar de todos os percalços,
conseguimos, em Pernambuco, avançar no sentido de buscar
oferecer uma escola de qualidade para os milhões de
alunos que frequentam nossas unidades de ensino. O ENEM 2006
atesta, sem sombra de dúvida, que a situação
começou a se inverter. De um passado que só
nos envergonhava – há oito anos o nosso Estado
ocupava a vergonhosa posição de 24º lugar
no ranking do ensino público no País - chegamos
em 2006 com motivos para ter esperança.
Razões não nos faltam.
No desempenho médio geral (escolha pública +
escola particular) na parte objetiva da prova do ENEM, Pernambuco
ficou em primeiro lugar na Região Nordeste, obtendo
média de 35,97, ultrapassando a média da Região
Nordeste, que foi de 33,83. No ranking dos dez primeiros Estados
do País, Pernambuco ocupa a nona colocação.
Atrás apenas dos Estados do Sul, Sudeste e do Distrito
Federal.
No que se refere ao desempenho médio da escola pública,
na parte objetiva, Pernambuco ficou em segundo lugar na Região
Nordeste com média de 32,98. No ranking dos Estados
do País, ficamos na décima primeira colocação,
atrás somente dos Estados do Sul, Sudeste, Centro-Oeste,
Distrito Federal e do Ceará (o único do Nordeste
que está à frente de nós). Pulamos, portanto,
do 24º para 11º lugar, um avanço considerável.
Em se tratando exclusivamente da escola particular, Pernambuco
ficou em segundo lugar na Região Nordeste, obtendo
média de 47,90, ultrapassando a média da Região
que foi de 46,44. Nesse particular, em relação
aos Estados brasileiros, Pernambuco ficou na décima
colocação. Tal desempenho fez com que, no cômputo
geral, o nosso estado tivesse duas escolas entre as vinte
primeiras do Brasil, como registrou a imprensa pernambucana:
o Colégio Equipe, particular, e o Colégio de
Aplicação da UFPE, uma escola pública
federal.
No Recife em particular, participaram do ENEM 239 escolas,
incluindo públicas das redes municipal e estadual e
particulares. No ranking das escolas públicas os três
primeiros lugares ficaram com escolas federais que funcionam
na capital como o Colégio de Aplicação,
já citado, a Escola Técnica Federal e o Colégio
Militar. O quarto lugar foi para o Centro Experimental Ginásio
Pernambucano, que começou a funcionar no governo Jarbas,
e já é, pelos resultados do ENEM, uma das melhores
escolas do estado e a de melhor nível entre as públicas
estaduais.
Mas, em se tratando de ensino público, é necessário
fazer aqui um alerta antes que se seja tarde. O mesmo ENEM
que mostrou uma melhora no nível de ensino do Estado
– tanto privado como público – mostra uma
situação preocupante no que se refere ao ensino
das escolas públicas mantidas pela Prefeitura do Recife.
No ranking das escolas públicas em funcionamento no
Recife, os 72 primeiros lugares são ocupados por escolas
da rede de ensino mantidas pelo Estado e somente na septuagésima
terceira colocação encontra-se a primeira escola
municipal (Colégio Municipal Reitor João Alfredo)
na lista do ENEM 2006.
Vale lembrar outro resultado preocupante no que se refere
à rede municipal de ensino da nossa capital. Os resultados
da Prova Brasil, outro sistema de avaliação
do ensino no País, mostra que os alunos das escolas
públicas municipais da capital estão em pior
situação do que os das escolas públicas
estaduais que funcionam no Recife.
O Prova Brasil, relacionado a Língua Portuguesa, constatou
que os alunos da rede estadual do Recife obtiveram uma pontuação
de 168 na quarta série, quando os das escolas municipais
obtiveram 148 – uma diferença de 20 pontos. Na
oitava série os alunos das escolas estaduais chegaram
a 209 pontos e os da rede municipal 201 pontos – uma
diferença de 7 pontos.
O mesmo se constata no exame Prova Brasil de Matemática,
onde os alunos da rede estadual do Recife obtiveram uma pontuação
de 175 na quarta série, quando os das escolas municipais
obtiveram um resultado de 157 – uma diferença
de 18 pontos. Na oitava série os alunos das escolas
estaduais chegaram a 221 pontos e os da rede municipal 214
– uma diferença de 7 pontos.
As escolas municipais do Recife estão em pior situação
do que as escolas mantidas pelos demais municípios
pernambucanos, o que demonstra a necessidade de uma tomada
de posição urgente por parte da Prefeitura da
capital.
Pode-se observar, senhoras e senhores deputados, que o Partido
dos Trabalhadores, em que pese o discurso histórico
a favor de um ensino público de qualidade está
ficando a dever à sociedade brasileira. Houve nesses
últimos anos, como aqui demonstramos, uma queda na
qualidade do ensino brasileiro e do Recife. No Brasil, temos
um presidente petista e, no Recife, um prefeito também
petista. Não podemos afirmar que daqui a dois anos,
quando terminar o mandato do atual prefeito, o ensino público
municipal estará na mesma situação preocupante
em que se encontra hoje, mas é muito difícil
mudar esse quadro assim de repente. Também não
temos como ter esperança em grandes mudanças
no ensino público nacional no atual mandato do presidente
Lula, afinal, nos quatro primeiros, a situação
só fez piorar.
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