Terezinha Nunes - Deputada Estadual
   
 
 
 

Data: 06 de Março de 2009
Pronunciamento sobre a Data Magna



Escolhida no ano passado por meio de consulta popular, onde foram ouvidas mais de 100 mil pessoas através dos meios de comunicação em todo o Estado, o dia 06 de março, data em que eclodiu a Revolução Pernambucana de 1817, transformou-se no dia mais significativo da nossa história através da Lei 13.386 de 2007, sancionada pelo governador Eduardo Campos.

“A única revolução brasileira digna desse nome”, na visão do mestre Oliveira Lima, a Revolução de 1817 sintetiza o espírito popular e libertário pernambucano que sempre se manifestou ao longo da história. Nos legou também um dos nossos mais queridos símbolos, a Bandeira de Pernambuco, hoje com suas cores sempre presentes em festividades por todo o Estado e vestida com orgulho por todos, independente de idade ou classe.

Pela Revolução, mil e seiscentas pessoas perderam a vida e mais de oitocentas foram degredadas, produzindo o maior número de heróis e mártires pernambucanos como Cruz Cabugá, Padre Roma, Vigário Tenório, Domingos Martins e o Leão Coroado, entre centenas de outros, incluindo uma mulher, cearense que se juntou aos pernambucanos, Bárbara de Alencar, a primeira presa política brasileira. Como bem registra no seu livro A Noiva da Revolução o escritor Paulo Santos, aqui presente, a quem rendo homenagem.

Outros heróis como Frei Caneca, Gervásio Pires e Abreu e Lima também receberam o seu batismo em 1817, tendo Frei Caneca liderado, em 1824, a Confederação do Equador, quando foi executado por arcabuzamento, já que os carrascos se recusaram a enforcá-lo.

Pode-se dizer que naquele ano de 1817 o Brasil começou, em Pernambuco, o seu movimento de independência. Durante sua vigência tivemos uma nova constituição, governo próprio, marinha, exército, polícia e até embaixadores designados no exterior. O 6 de março inaugurou a democracia no Brasil, com liberdade religiosa, de pensamento e de imprensa, em um momento em que esses direitos sequer eram discutidos no país.

A Revolução Pernambucana de 1817 só existiu por ter sido de todos.

Talvez essa seja a sua maior característica: a pluralidade. Dela, participaram todas as classes sociais, abrangendo amplas camadas da população, como religiosos, militares, proprietários rurais, juizes, artesãos, comerciantes e intelectuais. Todos em busca da liberdade tolhida pelo absolutismo português.

Os pernambucanos, que já haviam experimentado sucessivas vitórias como as das batalhas dos Montes Guararapes, demonstrando o sentimento de pátria e união dos brasileiros, sonhavam com a emancipação do Brasil. Sonho compartilhado pela Paraíba e Rio Grande do Norte, estados que junto a Pernambuco foram agraciados com a primeira concessão da Medalha Frei Caneca feita por esta Casa, no ano passado.

Entre os líderes do movimento, destaca-se a presença intensa de membros da Igreja Católica e da Maçonaria que, com uma participação marcante, foram fundamentais para a eclosão da Revolução.

Na época, a participação de clérigos em movimentos políticos era forte. Com um maior acesso às informações, eram mais esclarecidos e críticos, exercendo por vezes o papel de líderes políticos. Nos seminários, as idéias do iluminismo europeu e dos valores de liberdade, igualdade e fraternidade da Revolução Francesa, transferiram-se para as academias que reuniam padres e maçons. Dentro desse processo, destacaram-se o Seminário de Olinda, onde foi educado Frei Caneca, e as lojas maçônicas "Pernambuco do Oriente", "Pernambuco do Ocidente", "Restauração e Patriotismo" e "Guatimozim".

Para se ter uma idéia da dimensão e do número de religiosos entre seus líderes e participantes, o movimento insurrecional de 1817 ficou também conhecido como a "Revolução dos Padres." Vários clérigos participaram, inclusive, como comandantes de guerrilhas. Dos 120 padres que havia na época em Pernambuco, metade deles foram presos com o fim da revolução, juntamente com outros dez frades.

Entre eles, destacamos as participações fundamentais de alguns clérigos como Padre João Ribeiro Pessoa, um dos líderes do movimento; os secretários de governo Pedro de Souza Tenório (Vigário Tenório), Padre Miguel de Almeida Castro (Padre Miguelinho), o Frei Joaquim do Amor Divino Rabelo Caneca (Frei Caneca), e José Inácio de Abreu e Lima (Padre Roma).

Como a Igreja Católica, a Maçonaria e seus membros tiveram também participação essencial na Revolução de 1817. Tanto os leigos quanto os religiosos que se envolveram no movimento eram maçons. A Maçonaria foi a organização que iniciou as articulações do movimento através do comerciante Domingos José Martins, considerado dentre todos o principal promotor do levante. Merecem também destaque o comerciante Antônio Gonçalves da Cruz (Cruz Cabugá) e o Capitão José de Barros Lima (O Leão Coroado).

Outro líder de destaque foi o maçom Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, à época, ouvidor da comarca de Olinda, magistrado e político, irmão de José Bonifácio, que viria a ser o primeiro grão-mestre do Brasil.

Com o fim da Revolução de 1817, Antônio Carlos foi preso e julgado sumariamente, permanecendo no cárcere por quatro anos, sendo solto em 1821. Teve como companheiro de cela, Frei Caneca, reconhecido por todos como o mais significativo dos heróis pernambucanos de todos os tempos, sendo alçado à categoria dos Heróis da Pátria, em 2007, através da Lei 11.528/2007, proposta do senador Marco Maciel, sancionada pelo presidente Lula.

Destacado na Revolução de 1817 como um dos conselheiros dos revolucionários, Frei Caneca, não arrefeceu, mesmo diante de toda a repressão que se seguiu à derrubada dos revoltosos. Jornalista, tendo fundado o jornal Typhis Pernambucano, professor de geometria, Frei Caneca passou a organizar outros movimentos revolucionários, vindo a ser, em 1824, herói e mártir da Confederação do Equador.

Sem a participação da Igreja Católica e da Maçonaria, a Revolução de 1817 não teria existido e o seu grito de liberdade que até hoje ecoa, teria sido abafado.

Diante da importância da participação e dos feitos na Revolução de 1817, a Assembléia Legislativa decidiu entregar, no dia de hoje, a medalha do Mérito Democrático e Popular Frei Caneca à Igreja Católica e à Maçonaria.

A medalha carrega a imagem de Frei Caneca, nosso mártir maior e representante da Igreja Católica e da Maçonaria pela luta dos ideais de pátria e dos anseios de fraternidade e liberdade, consolidados na Revolução Pernambucana de 1817.

Anseios marcados nos versos da “Canção Pernambucana”, escrita por ele no dia em que a Bandeira Republicana recebeu a benção, em 1817:

"Cidadãos pernambucanos sigamos de marte a lida;
É triste acabar no ócio, morrer pela pátria é vida.
Quando a voz da pátria chama, tudo deve obedecer;
por ela a morte é suave, por ela cumpre morrer.
O patriota não morre, vive além da eternidade;
Sua glória, seu renome são troféus da humanidade."


Muito obrigada.

   
 
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Jornalista responsável Margarette Andrea