Terezinha Nunes - Deputada Estadual
   
 
 
 
Data: 06 de fevereiro de 2007
Pronunciamento de posse da deputada Terezinha Nunes

Sr. Presidente, Sras. Deputadas, Srs. Deputados, minhas senhoras e meus senhores

Há 29 anos, procedente da Paraíba, cheguei ao Recife para continuar meus estudos. Quis o destino e a generosidade desta terra que tão bem acolhe os visitantes, que, pela vontade livre e soberana do povo, viesse a ocupar uma vaga nesta casa, a Casa de Joaquim Nabuco.

O mesmo destino me colocou, após oito anos de trabalho na exitosa administração do ex-governador Jarbas Vasconcelos, na bancada de oposição ao novo Governo. Da mesma forma que cabe ao povo eleger um governante, este mesmo povo destina aos que foram derrotados na eleição majoritária, o papel de fiscais do Poder Executivo.

É assim nos regimes democráticos e o Brasil, graças a Deus, apesar de todas as intempéries e de todos os desafios, tem permanecido no regime democrático, reconquistado com a volta das eleições diretas em 1985, após uma longa batalha pela liberdade.

Foi, aliás, na batalha pela democracia que, nos bancos da Universidade Católica de Pernambuco, conheci figuras históricas que, nas ruas, lutavam, sem temor – “sem ódio e sem medo”, como diria Marcos Freire - contra o regime de opressão.

Cito aqui alguns desses líderes com os quais convivi como estudante e jornalista como Jarbas Vasconcelos, Roberto Freire, Pelópidas Silveira, Marcos Freire, Egidio Ferreira Lima, Cristina Tavares, Fernando Lyra, Dorany Sampaio, Marcos Cunha e Sérgio Guerra.

A todos, sem exceção, agradeço neste momento por terem despertado em mim o gosto pela política, sonho de infância no interior da Paraíba alimentado pelo meu pai, mas que o tempo foi se encarregando de esmaecer e quase sepultar. Divido com todos eles e com os meus eleitores a alegria de ocupar, neste momento, esta tribuna por onde já passaram muitas figuras ilustres que dignificam Pernambuco.

Colegas Deputados, minhas senhoras e meus senhores;

O exercício da profissão de jornalista e os vários cargos públicos que ocupei na Prefeitura do Recife e no Governo do Estado, me fizeram compreender que a determinação e a firmeza são atributos que engrandecem o homem público, mas é necessário também ter o traquejo e a delicadeza para tornar menos árduos os nossos desafios do dia-a-dia.

Não foi à-toa que ao destemido Che Guevara, talvez um dos mais duros guerrilheiros que a América Latina conheceu, seja atribuída uma frase que corre o mundo: “Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás”.

Confesso aos colegas que a determinação e a firmeza foram se fixando em mim desde a infância, mas que o traquejo ainda precisa se enraizar um pouco mais. Acho que nada melhor do que a convivência no Legislativo para que eu possa aperfeiçoar esta qualidade que muito admiro em todos vocês.

Os poucos dias nesta casa já me fizeram compreender sua extensão e necessidade quando se trata do Legislativo, embora esteja certa de que os dois primeiros atributos são essenciais para quem deseja perseguir um objetivo e levar a luta até o fim.

Digo isso para adiantar que na bancada de oposição, ao lado dos companheiros do PSDB, PMDB, PFL e PSDC, serei um soldado, ou soldada para homenagear minha condição feminina, uma vigilante permanente da atual administração.

Oposição não requer adjetivos. Oposição se faz e é isso que vamos exercitar. Estarei na trincheira, mas se em algum momento, for necessário aprovar projetos oriundos do atual Governo que busquem, no nosso entender, o melhor para Pernambuco podem ter certeza de que estarei firme garantindo o meu voto de aprovação.

Até porque, nobres colegas, vai ser difícil inventar a roda em Pernambuco, em que pese a bem humorada conclusão do ex-governador Gustavo Krause para quem o “juízo final”, se houver, vai acontecer na Pracinha do Diário, de tão arraigado que é o radicalismo entre nós. Mas, após oito anos de recuperação do Estado por um Governo que congregou diversos partidos e voltou a nos colocar na liderança econômica, política e cultural do Nordeste, dificilmente teremos um retrocesso.

Tive a honra de integrar uma equipe que sente orgulho de ter contribuído para que Pernambuco chegasse ao porto seguro do qual havia se desgarrado há anos e entregá-lo, aos nossos sucessores, enxuto, organizado, equilibrado, pronto para um futuro cada vez melhor e mais produtivo.

Seria incorreto se deixasse de citar aqui o que se conseguiu nesse tempo da União por Pernambuco.

Em primeiro lugar, para usar uma palavra da moda presente na verborragia do falante presidente Lula, que é crescimento, o nosso Estado vem crescendo mais que o Nordeste e que o Brasil. Situação impensável anos atrás.

Alguns ansiosos em busca do elogio fácil e da pressa que aniquila o verso, como diria o poeta, se esforçam para comemorar como obra recente – de dias apenas – a conquista de projetos como o Estaleiro, a Refinaria, o Pólo de Poliéster.

O povo pernambucano viu e acompanhou por anos a fio o Governo que recentemente findou, lançando as bases e encaminhando todas as providências para que estas conquistas aqui chegassem. É fazer pouco caso da inteligência do nosso povo querer afirmar que esses grandes investimentos se fizeram em poucos dias.

Desde o chamando up grade na infra-estrutura, tão citado por Jarbas e que os pernambucanos bem conhecem, - não sendo necessário aqui rememorar - até os entendimentos, os contatos, o convencimento dos investidores e todos os procedimentos burocráticos foram realizados. Esforço não faltou.

Pernambuco se desenvolverá muito mais daqui para a frente - arriscaria dizer - independente da vontade pessoal de qualquer governante. Assim é no mundo moderno. Em tempo de globalização só tem investimento quem a ele se habilita. Nem mesmo as empresas públicas se dispõem mais a dar tiro no escuro. Instalam seus projetos onde fique provado, por A mais B, que não terão prejuízo. Pernambuco chegou ao atual estágio porque se preparou mais, buscou mais e brigou mais – com números e não com palavras – que os outros estados nordestinos.

Falei da infra-estrutura, mas não foi só isso que nos levou a este patamar. Hoje não se chega ao desenvolvimento econômico sem que a ele venha acoplado o desenvolvimento social.

Ao mesmo tempo em que cuidou das obras de pedra e cal o governo anterior avançou em todos os demais campos onde também conseguiu resultados extraordinários.

O diálogo com a sociedade se ampliou e se firmou. São exemplos, só para citar alguns, o Governo nos Municípios – um orçamento participativo ampliado – a eleição direta para escolha dos diretores das escolas – depois copiada por vários estados - o Pacto 21 e o acordo com as centrais sindicais e demais sindicatos dos servidores no início da gestão no sentido de não provocar demissões no serviço público.

Na área da gestão pública cumpriu-se a lei de responsabilidade fiscal e reduziu-se de 70 para 55% os gastos com pessoal, de acordo com a Receita Corrente Líquida. A poupança corrente do estado, que estava negativa em R$120 milhões, chegou a um saldo positivo de R$ 742 milhões.

Operações de crédito feitas com bancos internacionais e nacionais de fomento alcançaram o montante de R$ 700 milhões dos quais R$ 200 milhões foram liberados e R$ 500 milhões estão prontos para liberação. A licitação da conta única, que rendeu ao estado R$ 240 milhões, foi implantada aqui de forma pioneira. Hoje o sistema está sendo realizado por todos os estados, incluindo São Paulo. Pernambuco dá exemplo.

O setor de educação, a despeito do atraso histórico que encontramos, e que não foi obra de um só Governo, teve avanços significativos. Reduziu-se de 24 para 18% a taxa de analfabetismo, os resultados dos nossos alunos no ENEM, que mede a evolução da qualidade na educação, demonstram melhoria significativa.

Foram implantados, com apoio da iniciativa privada, os programas Se Liga e Acelera, no combate à evasão escolar, e os Centros Experimentais de Ensino, com educação em tempo integral, experiência que também está sendo copiada nacionalmente.

Na questão da gestão escolar, o progresso foi tanto que há anos escolas estaduais da capital e do interior vêm conquistando prêmios nacionais do setor. A gratuidade foi instituída na UPE para alunos de escolas públicas e 1.500 alunos dessas escolas foram aprovados nos vestibulares das universidades públicas por conta dos programas Rumo à Universidade e Rumo ao Futuro.

Na área da saúde, o maior avanço foi a queda da mortalidade infantil. De 33 por mil nascidos vivos para 19, em apenas oito anos. O programa de agentes comunitários de saúde atinge hoje 96% da população, a cobertura vacinal alcançou todas as metas preconizadas pelo Ministério da Saúde, 35 hospitais foram construídos e reformados, foi instalado o Pronto Socorro Cardiológico – Procape - e duplicado o número de leitos em UTI.

O Hospital da Restauração, em que pese a superlotação, provocada pela proletarização da classe média, é hoje referência em várias áreas como cirurgia cerebral e recuperação de queimados.

É patente o alcance e a extensão do Porto Digital, implantado no estado e desenvolvendo tecnologia de ponta na área da informática. O abastecimento d`água alcança hoje 92% da população urbana, sendo que o aumento do abastecimento no Grande Recife chegou a 30%. Para tudo isso foram implantados 1.754 quilômetros de adutoras.

Fico por aqui no balanço do legado da administração passada, mas não poderia deixar de lembrar o efeito mais significativo desse trabalho que foi, para mim, o aumento da auto-estima do pernambucano, esboçado pelo orgulho que sentem nas ruas os cidadãos que vestem camisetas reproduzindo a nossa bandeira e cantam, com orgulho, o belo hino do nosso estado. Ninguém faz isso se não estiver comemorando algo muito especial.

Caros Colegas,

Estarei nessa tribuna sempre que necessário e sob a liderança do nosso líder, o nobre deputado Pedro Eurico, não apenas fiscalizando e criticando, como deve fazer a oposição. Também me esforçarei pela defesa de uma educação de qualidade, esportes, cultura e turismo.

Foram essas as áreas que, na campanha, me dispus a abordar em meu mandato, de forma preferencial, como prometi em debates com meus eleitores. Acredito que só uma educação de qualidade, a cultura e os esportes vão poder salvar nossa juventude carente que morre nas ruas, vítima da violência.

O turismo me entusiasma não só pela experiência que tive ao desenvolver projetos em Porto de Galinhas, Itamaracá e Gravatá, como porque é essa indústria sem chaminé que pode, de forma mais rápida, garantir emprego e renda para a nossa população.

Caros Colegas, por último, uma palavra especial para todos vocês.

Imbuída pelo exemplo de Nabuco, um pernambucano que se destacou pela defesa das boas causas, dos bons princípios, faço a todos uma exaltação. Em primeiro lugar me congratulo com os deputados da legislação passada que, com persistência, determinação e, cortando na própria carne, como diz a sabedoria popular, acabaram com o jeton das convocações extraordinárias.

Não é novidade para ninguém que a imagem da classe política está profundamente afetada nos dias de hoje. E dos políticos são os deputados, sem sobra de dúvida, os mais atingidos pela onda que se forma na sociedade em busca de culpados para todas as mazelas do País.

Está claro que se trata de uma injustiça com o Legislativo se formos avaliar a performance de cada um dos poderes da República brasileira, sem exceção, desde que ela foi proclamada, em 1889. E um País não se constrói de um dia para outro. Leva séculos e até milênios.

Experimentei nas ruas, porém, neste primeiro mandato, o efeito desse desgaste, o que certamente é do conhecimento de todos vocês. Por isso rogo que daqui para a frente reduzamos cada vez mais o espaço que hoje se forma entre o Poder Legislativo e a sociedade. O povo precisa se ver bem representado pelos deputados que elege e é nosso desafio conseguir atingir este objetivo.

Não trago soluções mágicas até porque não me cabe falar por 49 deputados. Sou apenas uma. Mas tenho certeza de que juntos, no dia-a-dia, construiremos o caminho que nos permita readquirir para a classe política o respeito dos cidadãos e, sobretudo, a satisfação dos que nos escolheram para aqui representá-los e para falar em nome deles.

Era o que tinha a dizer, Senhor Presidente.

Muito Obrigada.

   
 
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Jornalista responsável Margarette Andrea