Data: 04 de agosto de 2008
Pronunciamento sobre abandono da marca Circuito do Frio
Senhoras e Senhores Deputados,
O estado de Pernambuco viveu no mês de julho a crônica de uma morte anunciada. Uma grande promoção turística do estado, o Circuito do Frio, passou quase despercebido nas cidades onde se realizou, agora camuflado em festas locais, sem nenhum apelo mais forte sobre as pessoas dos outros municípios, o que se configurou com um grande prejuízo turístico. Passou-se a falar em Festa das Dálias, Festa da Estação, nomes que, embora bonitos, não têm representação sobre o universo cultural e turístico da região serrana.
O mais grave, senhores deputados e deputadas, é que isto está acontecendo por simples disputa de interesse político-eleitoral, em total desrespeito ao dinheiro público.
Por falta de sensibilidade, o atual Governo matou uma marca turística do estado que foi construída durante vários anos e que, nesta época fria, levava a vários municípios mais emprego e renda, além de elevar a auto-estima da população que passou a ver neste período as manifestações culturais locais e de fora se apresentando para milhares de pessoas.
Não se justifica o abandono da marca Circuito do Frio não só porque ela virou uma referência e passou a ser copiada regional e nacionalmente, pois vários estados que têm áreas frias passaram a utilizá-la, como porque o atual Governo não deixou de investir.
Continua promovendo eventos nas cidades onde o circuito se realizava mas como não há divulgação e nem um nome que chame a atenção para o projeto, a verdade é que ele vem morrendo de inanição a cada ano.
Este ano, por exemplo, o único municípios que contou com certo público foi Gravatá mas Gravatá não serve de referência porque é uma cidade já muito visitada esta época do ano e, tendo sempre visitantes, as pessoas acabam sabendo o que vai acontecer e comparecendo.
Nos demais municípios, a mídia calou em relação ao circuito do frio. Nem mesmo as autoridades governamentais, que costumavam, na época do Governo passado, prestigiar o Circuito do Frio, gerando mais expectativa sobre ele, cuidaram de se fazer presentes.
O governador não foi sequer para Gravatá. Chegou-se até a anunciar que ele estaria presente mas somente a presidente da Fundarpe, Luciana Azevedo, foi ao município.
No ano de 2006, último da gestão passada, foram injetados R$ 40 milhões na economia dos municípios onde o Circuito do Frio se realizou como Taquaritinga do Norte, Gravatá, Triunfo e Pesqueira, sem falar em Garanhuns que faz sua festa à parte, independente dos demais municípios. A estimativa foi que 1 milhão de pessoas compareceram aos eventos patrocinados pelo estado naquela época. Dados da Empetur revelam que 7 mil empregos temporários eram gerados nos municípios frios na época do circuito.
O que acontece agora? É difícil saber pois nem mesmo a imprensa tem se interessado em divulgar uma promoção que a cada ano fica menor.
O pior é que mesmo Garanhuns que, como disse, faz uma festa própria, passou a sentir o abalo do fiasco que vem acontecendo na área serrana. Este ano quem foi ao município sentiu que o Festival de Inverno não correspondeu ao que vinha acontecendo nos anos anteriores. Faltou público mesmo nos dias das grandes atrações e o comércio de rua e oficial reclamou a falta de visitantes e, consequentemente, de compradores.
É por coisas pequenas desta natureza que nosso estado se prejudica e o povo, que nada tem a ver com as querelas políticas, perde chance de acreditar no futuro, por entender que, a cada quatro anos, um novo dirigente pode colocar por terra o que foi penosamente construído. As marcas que dão certo, como foi o caso do Circuito do Frio, todo mundo sabe, servem de suporte para muitos projetos. Infelizmente, em Pernambuco, isto está valendo pouco para os atuais dirigentes mais preocupados com os seus projetos pessoais atuais e futuros do que o interesse maior da população. |