Data: 03 de dezembro de 2007
Pronunciamento sobre o vestibular da Universidade de Pernambuco (UPE)
Sr. Presidente,
Srs(as). deputados e deputadas,
Milhares de estudantes se deslocaram de suas casas este final de semana, na capital e interior, para participar do vestibular 2008 da Universidade de Pernambuco – UPE.
Segundo a própria universidade, é de 11,69% o percentual de alunos que deixaram de comparecer aos dois dias de provas. Considerando que mais de 26 mil estudantes se inscreveram para disputar as vagas do vestibular da UPE pode-se imaginar que tal número de faltas é previsível.
Mas as faltas nem sempre retratam apenas os casos de estudantes que dormiram demais e, por isso, chegaram aos locais de provas quando o prazo já estava esgotado, o que pode parecer à primeira vista.
No caso da UPE, há entre os que não conseguiram chegar a tempo casos de tremenda injustiça. Esta é a situação vivida por um grupo de alunas de Nazaré da Mata que me procurou hoje pela manhã. Chorando muito, essas moças relataram algo que não pode mais acontecer: saíram de Nazaré às 5h da manhã do domingo e, por conta de um grande congestionamento na entrada do Recife, só chegaram aos locais de prova quinze minutos depois que os portões tinham sido fechados.
Perguntamos: seria o caso dessas estudantes, já que vinham do interior e não tinham onde dormir no Recife, terem saído de casa às 4j ou 3 horas da madrugada?
Claro que esta pode ser a resposta a ser dada pela UPE, mas não se pode admitir simplesmente porque a Universidade tem campus em várias cidades do interior, inclusive em Nazaré, e, ao invés de colocar os alunos dos municípios interioranos para fazer provas em suas próprias regiões, não considerou isso.
No vestibular que se realiza, há casos de absoluta incompreensão: estudantes que moram no interior foram obrigados a fazer provas no Recife e estudantes que residem no Recife tiveram seus locais de prova lotados no interior.
O que pode estar por trás disso? Nos parece que falta de atenção ou mesmo incompetência dos que organizaram o vestibular. Isso já seria condenável se fosse o caso de uma universidade particular. Sendo pública, como é o caso da UPE, a situação se agrava, pois os estudantes que se inscrevem são, em sua maioria, carentes, o que dificulta o deslocamento do interior para a capital, ou vice-versa.
Decidi vir à tribuna hoje fazer esta denúncia em solidariedade às estudantes prejudicadas às quais recomendei, como último recurso, a apelação para a justiça, uma vez que estudaram anos a fio para no final amargar tão grande frustração.
Se fossem ricas e tivessem onde ficar no Recife certamente que essas jovens não iriam sair de sua cidade às 5 da manhã para fazer provas às 8 horas. Como são pobres e não contaram com a sensibilidade dos organizadores do vestibular para fazerem as provas em suas próprias cidades, jogaram fora todo o esforço feito e agora amargam, junto às suas famílias, a frustração pelo vestibular que não foi realizado.
Para evitar frustrações parecidas nos próximos anos e choros iguais aos que vi hoje pela manha dessas jovens que pediam um apoio, é que estou remetendo a esta mesa diretora um ofício solicitando que seja enviado à UPE recomendando que, daqui para a frente, o vestibular da Universidade seja realizado obedecendo ao local de moradia dos estudantes inscritos. Se há campus espalhado por todo o Estado, lotar estudantes do interior na capital e da capital no interior é faltar com o respeito aos mais pobres, exatamente os que devem ter maior atenção das universidades públicas.
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