Data: 03 de abril de 2007
Pronunciamento sobre o abandono do Núcleo Integrado
pela Segurança e Atenção à Mulher
(Nisam) em Brasilia Teimosa.
Senhoras e Senhores Deputados,
Há poucos dias, a bancada da oposição
nesta casa pronunciou-se sobre matéria publicada pelo
Jornal do Commercio, mostrando o abandono do projeto Estação
Futuro, implantado pelo governo anterior, e destinado a proteger
crianças carentes, tirando-as das ruas e oferecendo-lhes
treinamento para ingressarem no mercado de trabalho.
Hoje, volto a esta tribuna para denunciar algo semelhante:
o abandono do Núcleo Integrado pela Segurança
e Atenção à Mulher – Nisam –
instalado no bairro de Brasília Teimosa em 29 de junho
de 2006 e que conseguiu a proeza, devido ao grande sucesso
que teve, de, em apenas seis meses, atender a 5.040 mulheres
– 840 por mês.
Mulheres que procuraram o Nisam para se proteger contra a
violência, denunciar maltratos e receber atenção
nas áreas de justiça, saúde e direitos
da cidadania. Sim, porque o Nisam, um órgão
baseado em uma política integrada de atenção
à mulher, congregava quatro secretarias – Justiça,
Cidadania, Defesa Social e Saúde – e mais uma
representação do Ministério Público.
Por que digo congregava? Porque, senhores e senhoras deputadas,
o Nisam, da forma como vem funcionando no atual Governo, não
é mais o órgão que tanta atenção
recebeu e tantos serviços prestou. Virou um arremedo.
Está aberto, é verdade, mas quase todos os
serviços se encontram paralisados sem que qualquer
medida seja tomada para resolver a questão.
Estamos cansados de saber – e isso relatamos hoje pela
manhã na audiência pública sobre o Pacto
pela Vida – que Pernambuco é um dos estados onde
mais se mata mulheres e nos primeiros meses deste ano o crime
contra a mulher alcançou números assustadores.
Como se justifica, pois tamanho descaso com um órgão
que visa exatamente atacar esta questão?
Em Brasília Teimosa, e estas mulheres que ocupam as
galerias sabem disso, comemora-se a redução
dos índices de violência contra a mulher depois
da instalação do Nisam na comunidade, embora
ele atenda a mulheres de todos bairros do Recife, sem discriminação.
O Nisam foi criado com os seguintes serviços. A Justiça
fazendo mediação de conflitos, a Cidadania,
a expedição de documentos, a liberação
de micro-crédito e o encaminhamento para o mercado
de trabalho, através da Agência do Trabalho;
a Defesa Social promovendo palestras educativas, orientando
sobre tráfico de órgãos e de seres humanos
e dando assistência através da Delegacia da Mulher.
A Defensoria Pública com plantão permanente.
A Saúde promovendo atendimento psico-social, palestras
educativas em saúde da mulher e encaminhamento das
mesmas para a rede de referência em saúde no
caso de estupro, gravidez não desejada e lesões
por agressão.
Pois bem, e como se encontra hoje o Nisam? Dos 20 funcionários
que lá trabalhavam restam apenas sete e 13 foram devolvidos
aos órgãos de origem e não mais comparecem
ao órgão. O coordenador foi exonerado e não
há ninguém com essas características
para gerir o Núcleo. A Defensoria Pública deixou
de atuar no local, não há mediador de conflitos.
Há dias que apenas duas pessoas comparecem para o atendimento
geral, o que demonstra uma possível desativação
do Núcleo, onde o Governo investiu dinheiro dos pernambucanos
e onde as mulheres puderam até o final do ano passado
ter um abrigo para procurar nos momentos de necessidade.
A Secretaria da Mulher já tomou conhecimento da situação,
foi o que me informaram as pessoas que responderam pelo serviço
ou que ainda respondem, mas nenhuma medida foi tomada até
agora. Os computadores que ainda restam no prédio estão
para ser retirados, segundo os funcionários que ainda
permanecem por lá.
Até o pessoal de limpeza foi afastado. Psicólogos
e assistentes sociais têm se revezado na execução
dessas tarefas que em nada têm a ver com o trabalho
que deviam desenvolver, mas o fazem por abnegação
e responsabilidade social.
É impossível saber no momento quantas mulheres
ainda conseguem ser atendidas no local, mas a informação
que temos é de que não passam de 100 por mês,
uma redução de mais de 80% em relação
ao ano passado.
Ao mesmo tempo em que fazemos esta denúncia, esperamos
que o Governo atente para o descaso a que foi relegado o atendimento
à mulher no bairro de Brasília Teimosa e tome
urgentes providências para resolver a questão.
Não há como se explicar uma política
de atendimento à mulher que tenha relegado o Nisam
ao abandono em que se encontra.
Não se deseja que ele continue com o mesmo nome. Pode
mudar de nome, como aconteceu com a Estação
Futuro, também relegado ao abandono. Entendemos é
que a população não pode ser penalizada
porque mudou o Governo, porque a equipe atual não gosta
do trabalho feito pela anterior. Antes de tudo é preciso
respeitar os que nada têm e que recorrem ao Poder Público
quando não tem mais porta aonde bater.
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