DP: Terezinha diz que Paraíba respira política
Publicado no Diario de Pernambuco em 25.07.2010 Terezinha Nunes: “Paraíba só pensa em política” Jornalista e deputada estadual, a paraibana Terezinha Nunes resume o que significou para ela o assassinato de João Pessoa. Neste depoimento, ela mostra que os anos podem passar, mas a política da Paraíba continua dominada pelas famílias e grupos políticos. O paraibano é antes de tudo um ser político, em contraposição ao nordestino descrito por Euclides da Cunha, para quem é antes de tudo um forte.
“Nasci na cidade de Teixeira, na Paraíba, terra da família Dantas, onde João Dantas tinha ido visitar o pai enfermo e teve seu escritório invadido pela polícia paraibana, na época sob o comando do presidente (governador) da Paraíba, João Pessoa. Teixeira fica a poucos quilômetros de Princesa, cidade escolhida pelo coronel José Pereira para transformá-la em República Independente e defender a posse de Júlio Prestes na Presidência da República. José Pereira era amigo da família Dantas e, naturalmente, de João Dantas, também oposição à época. “Com o assassinato de João Pessoa, tido como herói na Paraíba, a história mudou, mas a política de caráter exacerbado é até hoje uma característica paraibana. Não sei se porque a Paraíba não tem muitos recursos naturais e possui uma economia que fica muito a dever às necessidades de sua população, mas o certo é que, na Paraíba, muito mais do que em Pernambuco, a política é a coisa mais importante do Estado. As campanhas são acirradas, parece que o mundo vai se acabar. Acostumei-me ainda pequena a presenciar isso em minha cidade. Vi muitas vezes comícios terminarem à bala e em plena campanha as famílias Dantas e Lyra levantarem verdadeiras barricadas, na zona rural, que acabavam em mortes. “Claro que hoje isso não existe desta forma, porém, convém lembrar que não faz muito tempo que o ex-deputado federal Ronaldo Cunha Lima baleou o ex-governador Tarcísio Burity. Em Pernambuco, a luta política tem caráter ideológico, social. Na Paraíba é mais uma questão de grupos políticos, de famílias tradicionais. “Não havendo, portanto, um motivo maior – pelo menos ao meu alcance (pode ser que existam mudanças mais recentes) – na contenda política, as questões familiares e pessoais acabam se sobrepondo como aconteceu no tempo de João Pessoa. O assassinato se deu, até prova em contrário, quando João Dantas viu que o adversário havia invadido sua privacidade e, como é comum nesses casos, sua vida pessoal estava sendo comentada em todas as rodas da capital paraibana. “João Pessoa é um mito na Paraíba, muito mais porque foi assassinado no exercício do cargo do que por alguma obra importante que tenha realizado. E o coronel José Pereira, que fez sua “república” em Princesa, e era amigo de João Dantas, lutava muito mais pelo poder para sua família do que pela democracia. É isso pelo menos o que fica claro hoje”, afirma Terezinha Nunes. |