Terezinha Nunes - Deputada Estadual
   
 
 
 
 
publicada em 11-11-2009

Participantes de audiência reclamam de omissão do governo no tratamento de dependentes do crack

Depois de seis meses procurando um lugar para tratar o filho de 18 anos, dependente do crack, a doméstica N. V. S. encontrou o apoio que buscava durante audiência pública da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa, hoje pela manhã. Emocionados, mãe e filho saíram do auditório da Casa diretamente para um centro de tratamento privado, em Igarassu. “Eu vou ter força para vencer o vício, quero um futuro”, disse ele.

O drama dessa família, vivido por milhares de outras que enfrentam a convivência com o crack, reforçou uma das principais questões abordadas no encontro: a omissão do governo diante do problema. “Dados indicam que 92% dos dependentes da droga não buscam tratamento. Mesmo assim, não há vagas suficientes e a maioria dos centros trabalha com internamento de 30/45 dias, quando o cérebro leva de seis meses a um ano para se recuperar”, salientou o psiquiatra Marcelo Machado, da Comunidade Terapêutica Recanto da Paz, que acolheu o filho de Neuza.

 O psicólogo Gilberto Lúcio da Silva, do Ministério Público de Pernambuco, registrou a necessidade de o Estado implantar centros de referência para adolescentes serem tratados. “Apesar dos altos índices de dependentes no Estado, Pernambuco ficou de fora dos recentes investimentos do Ministério da Saúde para implantação de estabelecimentos desse tipo”, criticou.

 Como presidente da Comissão, a deputada Terezinha Nunes informou que vai solicitar uma audiência junto ao secretário de Saúde, João Lyra, para tratar da falta de centros de tratamento para dependentes do crack no Estado. “Vimos aqui a gravidade do problema e a urgência em dar assistência às inúmeras famílias pernambucanas que não sabem a quem recorrer”, afirmou.

TRÁFICO - O delegado federal Carlo Correia sugeriu que o Governo Federal entre em acordo com o Governo boliviano, principal fornecedor da droga ao Brasil, para combater o plantio e distribuição do produto. “Também faria efeito se os traficantes de outros estados presos aqui fossem devolvidos, pois 60% do tráfico é comandado de dentro dos presídios”, sugeriu. O desembargador Fausto Campos ressaltou: “A lei é rigorosa, mas facilita para os traficantes. Essa é uma questão de Estado, não de política, só precisa de vontade para se enfrentar”.

 Praticamente todos que se pronunciaram se colocaram contrários à liberação do consumo de droga. “A maconha é ponto de partida para outras drogas”, afirmou o delegado federal Marcelo Cordeiro. “O consumo de droga começa cedo, não podemos ter um discurso de liberação para crianças”, reforçou o pastor Joel Bezerra, do Desafio Jovem. A audiência foi solicitada pelos deputados pastor Cleiton Collins e Pedro Eurico.

 
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Jornalista responsável Margarette Andrea