Terezinha Nunes - Deputada Estadual
   
 
 
 
 
 
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Publicado em 30-07-2010
Patrimônio cultural negligenciado

Editorial do Jornal do Commercio em 30.07.2010


O roubo do quadro Enterro, de Cândido Portinari, um das obras mais valiosas do acervo do Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco, em Olinda, reflete bem a ausência de uma política de proteção, preservação e divulgação do nosso patrimônio cultural. O JC já havia denunciado a fragilidade na guarda do acervo na reportagem Sem seguro ou segurança, da jornalista Fabiana Moraes, publicada em 2 de setembro de 2007. A repórter alertava que a falta de levantamento de patrimônio e de plano de segurança expõem instituições e mostram enorme descuido com o presente e o passado.


O MAC-PE havia sido alvo de investida de bandidos anteriormente, quando levaram um autorretrato de Eliseu Visonti, há 25 anos, obra nunca recuperada. Pode parecer espantoso, devido à fragilidade da segurança, que tanto tempo tenha se passado entre uma ação e outra. E a justificativa pode ser grotesca: a ausência de divulgação. Ou seja, nem mesmo quadrilhas especializadas em furto de obras de arte parecem conhecer o acervo do MAC-PE, que possui obras de Cícero Dias, Eliseu Visconti, Wellington Virgolino, Di Cavalcanti, João Câmara, Guinard, Adolph Gottielib, Burle Max, Francisco Brennand.

Esse desconhecimento é comprovado pelo pequeno número de visitantes registrados diariamente – algo em torno de 20 pessoas em média – um número ridículo para um dos principais museus de arte moderna do século 20 do País. Revela, também, a ausência de programa educativo que leve alunos do ensino fundamental e médio ou mesmo de cursos de artes plásticas ao MAC-PE. Pelo visto o museu também está fora do programa de visitação das operadoras que levam os turistas a Olinda.

Com um acervo em parte constituído pelos prêmios de aquisição do Salão dos Novos de Pernambuco – que tanta falta tem feito e que revelou tantos nomes – o MAC-PE não tem sabido tirar proveito do seu patrimônio. É tão comum nos principais museus do mundo o visitante comprar livros, catálogos, cartões postais, camisas, pôsteres, chaveiros e outros suvenires feitos através de licenciamento. Mas parece que aos gestores e ao governo basta o museu estar aberto, realizando mensalmente uma ou outra exposição, sem planejamento ou calendário prévio, quase nenhum investimento em mídia e programa educativo.

O anúncio feito pelo governador Eduardo Campos de um investimento de R$ 2 milhões em segurança nos museus geridos pela Fundarpe minimizará os riscos da ação de bandidos, mas não equacionará problemas que se arrastam por décadas nos museus pernambucanos, como a falta de catalogação de todo o seu patrimônio, de investimentos na conservação do próprio imóvel (o MAC-PE já foi alvo de cupins e infiltrações), nas obras de seus acervos e na reserva técnica das instituições. Há ainda carência de pessoal técnico especializado, de programas de reciclagem e de um planejamento a curto, médio e longo prazos de suas atividades.

Não é de agora que Pernambuco se orgulha da sua diversidade cultural. O programa da atual gestão é sintomaticamente chamado de Pernambuco Nação Cultural. E uma de suas principais metas é justamente o desenvolvimento de ações “que visam o fomento, a preservação, a formação, a difusão, a distribuição da cultura no Estado, levando em conta sua dimensão simbólica e seu desenvolvimento dentro do conceito de economia da cultura, com foco na inclusão social”. Preservação talvez seja a área mais crítica deste quinteto.

A Fundarpe foi criada há quase 40 anos para gerir o patrimônio histórico e artístico de Pernambuco – se preocupando inicialmente com o tombamento e restauro de bens e acervos. Todavia, a instituição se transformou nas duas últimas décadas numa das maiores promotoras de shows e eventos públicos do País, alguns dos quais provocaram um escândalo que ainda está sendo investigado. Nas suas atribuições estão ainda programas de formação e qualificação profissional, e o fomento através de uma política de editais, servindo de indutora da cadeia produtiva cultural em Pernambuco. Tudo isso consome quase todos os recursos da Fundarpe, pouco sobrando para a preservação, proteção e divulgação de um rico patrimônio cultural e seus bens valiosos.

 



 
 

 
Publicado em 30-07-2010
Autuação de quem atropela por crime intencional é rara

Publicado no Jornal do Commercio em 30.07.2010


Motoristas alcoolizados que causam mortes no trânsito são figuras fáceis nas páginas de jornais. Mas geralmente, quando a polícia os autua, são enquadrados no Código de Trânsito Brasileiro (CTP) por homicídio culposo, quando o autor do crime não tem intenção de matar. A prática de enquadrar condutores por homicídio doloso, com dolo eventual (quando a pessoa assume o risco de matar), ainda está na fase inicial. Nos últimos dois anos, em Pernambuco, três raros casos chamaram a atenção da sociedade para a questão.

No último dia 19 de maio, Ivanir Santos do Nascimento, 20 anos, perdeu o controle da Kombi que dirigia e matou um garoto de 13 anos, em frente a Escola Municipal Professor Aderbal Galvão, no Vasco da Gama, Zona Norte do Recife. O condutor, que não tinha carteira de habilitação, foi autuado em flagrante por homicídio doloso (dolo eventual) pelo delegado Alexandre Magno. No início do mesmo mês, o caminhoneiro Wilson Signorelli, 45, que estava embriagado, atropelou uma mulher de 24 anos e o filho dela de um ano e dez meses, em Piedade, Jaboatão dos Guararapes. Foi enquadrado pelo mesmo tipo de crime pelo delegado Vladimir Lacerda.

Outro caso que obteve grande repercussão foi o do universitário Alisson Jerrar Zacarias dos Santos, 21, acusado de provocar o acidente que matou a técnica em enfermagem Aurinete Gomes dos Santos, no dia 13 de dezembro de 2008. A Polícia Civil o autuou por homicídio culposo, mas o Ministério Público de Pernambuco o denunciou por doloso.

Para César Cavalcanti, coordenador da Regional Nordeste da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), a sociedade está apenas começando a despertar para o fenômeno da matança de milhares de pessoas todos os anos no trânsito. “É preciso atuar de forma mais severa para diminuir os risco nestes casos, que não são acidentais. A conscientização acontece em etapas”, avaliou o especialista.

 



 
 

 
Publicado em 30-07-2010
Cresce ameaça à vida marinha

Quantidade de fitoplânctons nos oceanos vem caindo, em média, 1% ao ano, segundo estudo publicado na revista Nature. Base da cadeia alimentar das espécies subaquáticas, os micro-organismos estariam sofrendo duramente com o aquecimento global


Paloma Oliveto
palomaoliveto.df@dabr.com.br

Brasília - A preocupação com as mudanças climáticas tem se concentrado nos efeitos negativos sobre a vida terrestre. Novos estudos, porém, sugerem que os oceanos também já estão sendo afetados de forma grave pelo aquecimento do planeta. Dois artigos publicados pela revista especializada Nature alertam que a vida marinha passa por alterações que podem trazer profundas implicações para os oceanos e, consequentemente, para a Terra. Uma das pesquisas, conduzida por uma equipe internacional de cientistas, concluiu que a quantidade de fitoplânctons vem diminuindo, em oito das 10 regiões oceânicas analisadas em todo o mundo, a uma taxa média de 1% ao ano.


Foto: Nasa Earth Observatory Collection/Divulgação
A tendência foi verificada principalmente no Hemisfério Norte, a partir da década de 1950. Na região, houve um declínio de aproximadamente 50% na presença desses micro-organismos, essenciais para a vida marinha por serem a base da pirâmide alimentar oceânica. Segundo Daniel Boyce, principal autor do estudo, "os fitoplânctons são o combustível do ecossistema marinho. Um declínio afeta tudo que está acima na cadeia alimentar, incluindo os homens".

Usando dados históricos e recentes, a equipe de cientistas descobriu que o declínio a longo prazo dos fitoplânctons está associado primordialmente ao aumento da temperatura da superfície do mar. Eles destacam que algumas pesquisas anteriores já sugeriam a diminuição desses micro-organismos, mas os estudos baseavam-se apenas em dados por satélite. No artigo publicado na Nature, os cientistas também utilizaram as imagens aéreas, mas combinaram os dados com uma compilação inédita que data do fim do século 19, além de estudarem amostras do pigmento dos fitoplânctons, a clorofila. O resultado foi um banco de dados com meio milhão de informações, que remontam a 1899.

De acordo com o estudo, em 1865 o padre Pietro Angelo Secchi foi designado pelo Vaticano a descobrir o nível de transparência do Mar Mediterrâneo. Ele, então, inventou um dos mais simples instrumentos oceanográficos, um disco de 20cm de largura, que tinha a função de determinar até onde a luz solar conseguia penetrar no oceano. Assim, surgiu o disco de Secchi, ferramenta que até hoje é usada por pesquisadores. A relação do equipamento com o fitoplâncton é que, como fazem fotossíntese, essas algas microscópicas precisam de luz para se reproduzir. Por isso, só são detectadas na superfície do mar.

Ao longo do século passado, muitos pesquisadores começaram a medir o nível de colorifla - sinal da presença dos fitoplânctons -, com o auxílio da descoberta de Secchi. Eles constatavam um decréscimo contínuo da substância e registravam esses dados que, até agora, não haviam sido compilados. A equipe de Boyce reuniu todos esses dados e acrescentou outros, fazendo medições com equipamentos mais modernos e precisos. Com isso, os cientistas conseguiram detectar que, nos locais onde a temperatura da superfície do mar sofreu aquecimento, há uma presença menor de clorofila, indicando que os fitoplânctons estão em declínio. Ao mesmo tempo, nas águas geladas das regiões polares, o aquecimento global teve efeito inverso: o calor permitiu a expansão dos micro-organismos.

Segundo um dos autores da pesquisa, David A. Siegel, da Universidade de Santa Bárbara, nos Estados Unidos, diversas razões podem explicar o aumento da temperatura oceânica, como a alteração natural da direção das correntes marítimas e a ocorrência de fenômenos climáticos independentes da ação do homem, como o El Niño. Para ele, a humanidade não pode ser responsabilizada por todas as mudanças no planeta: "No mundo, as coisas precisam mudar naturalmente, e acredito que as plantas e os animais marinhos vão se adaptar a essas mudanças".

Biodiversidade - Já a equipe da universidade canadense de Dalhousie, que assina outro artigo sobre alterações nos oceanos na edição de hoje da Science, diz que o homem tem responsabilidade por mais um problema que atinge a vida marinha: a mudança na distribuição da fauna e da flora do fundo do mar. Segundo eles, a temperatura é a peça-chave da biodiversidade, e o aquecimento dos oceanos, com outros impactos provocados pelo homem, poderá modificar significativamente a distribuição dos animais ao longo das camadas aquíferas.

Para chegar a essa conclusão, o biólogo Derek Tittensor, da Universidade de Dalhousie, mapeou e analisou as tendências da biodiversidade de 11 mil espécies oceânicas, pertencentes a 13 grandes grupos. Ele descobriu que a distribuição das plantas e dos animais está diretamente ligada à temperatura do mar. Segundo Tittenson, isso sugere que as mudanças climáticas terão um grande impacto na geografia da vida oceânica. O grupo de cientistas também concluiu que, quanto maior é a ação local do homem, mais diferenças ocorrem na distribuição das espécies.

De acordo com o estudo, muitas pesquisas já foram realizadas sobre o padrão da biodiversidade terrestre, mas o conhecimento sobre a distribuição da vida marinha ainda é bastante limitado. Porém os cientistas envolvidos no artigo publicado na Nature conseguiram identificar a localização dosprincipais grupos marinhos, incluindo corais, baleias e tubarões. Pela primeira vez, foi possível mapear a diversidade global dos peixes que vivem em áreas costeiras.

Eles descobriram que a distribuição da vida marinha segue dois padrões fundamentais: espécies costeiras, como corais e alguns tipos de peixes, estão mais presentes na área correspondente ao sudeste da Ásia, enquanto que animais típicos do mar aberto, como atuns e baleias, concentram-se muito mais nas médias latitudes oceânicas. "É impressionante como a temperatura está diretamente ligada à diversidade marinha. Essa relação sugere que o aquecimento do oceano, provocado pelas mudanças do clima, pode rearranjar a distribuição da vida marinha", disse ao Correio Braziliense/Diario de Pernambuco Derek Tittensor. "Nossa pesquisa fornece mais provas de que limitar o aumento da temperatura oceânica e as ações humanas serão de grande importância para a segurança da biodiversidade marinha no futuro", afirma.

Alimentos fundamentais

- Os fitoplânctons (em azul, uma cadeia no Atlântico Oeste, vista do espaço) são micro-organismos aquáticos unicelulares, que possuem clorofila e fazem a fotossíntese.

- Como precisam de luz, são encontrados a cerca de 200m de profundidade. Ao absorver o gás carbônico da água, eles liberam oxigênio na atmosfera. Para crescer, precisam de luz, nitrogênio, fosfato e ferro, nutrientes levados das águas geladas e profundas até a superfície, por meio das correntes marítimas.

- A nutrição do fitoplâncton depende da mistura bem dosada entre água fria e quente. Quando a temperatura da superfície está muito quente, os nutrientes não conseguem chegar até onde estão os micro-organismos. Isso faz com que eles parem de crescer.

- Os fitoplânctons são a base da cadeia alimentar da vida marinha. Eles são o alimento dos zooplânc tons (organismos que não fazem fotossíntese e vivem dispersos nas colunas de água) que, por sua vez, são a presa de peixes pequenos, que alimentarão os maiores etc.



 
 

 
Publicado em 29-07-2010
Acidente de trânsito deixa uma pessoa morta e outra ferida, em Casa Forte

Da Redação do pe360graus.com em 29.07.2010

Um grave acidente deixou uma pessoa morta e uma ferida, na manhã desta quinta-feira, no bairro de Casa Forte, no Recife. O acidente foi na avenida Dezessete de Agosto, em frente ao CPOR.

Diego Calixto Farias Carvalho (foto 2), 19 anos, que dirigia o carro no sentido Parnamirim-Apipucos, perdeu o controle da direção e invadiu a pista contrária, derrubou um poste e batendo na grade de um laboratório. Duas funcionárias, que estavam abrindo a grade, foram atingidas pelo carro. Silvania Maria de Lima, 42 anos, morreu no local. Márcia Maria de Oliveira Brito, 33 anos, que está grávida de seis meses, ficou ferida e foi levada ao Hospital da Restauração.

De acordo com a polícia, Diego Calixto apresentava sinais de embriaguez e foi levado para a delegacia de Casa Amarela. Márcia Maria de Oliveira Brito, que ficou ferida no acidente, será transferida para o hospital São Marcos.

 



 
 

 
Publicado em 29-07-2010
MPPE e MPF ingressam com ação requerendo suspensão de desmatamento para ampliação do Porto de Suape

Da assessoria do Ministério Públicao em 29.07.2010

O Ministério Público de Pernambuco (MPPE), em parceria com o Ministério Público Federal, tenta impedir, na Justiça Federal, que ocorra sem um estudo prévio o que seria o maior desmatamento de vegetação permanente da história do Estado para viabilizar a expansão do Porto de Suape, em Ipojuca. O promotor de Justiça Salomão Abdu Aziz Ismail Filho, conjuntamente com a procuradora da República Monalisa Duarte, ingressaram com uma Ação Civil Pública (ACP), com pedido de liminar, contra a Agência Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos de Pernambuco (CPRH), o Complexo Industrial Portuário Governador Eraldo Gueiros (Suape), o Estado de Pernambuco e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).


A ACP foi ingressada para que seja apresentado um Estudo de Impacto Ambiental e um Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) atualizado e específico para o empreendimento, sobre os danos que o desmatamento de 17,039 hectares de mata atlântica, 508,3614 hectares de manguezal e 166,0631 hectares de restinga podem causar ao meio ambiente. A liminar é para que os órgãos responsáveis abstenham-se de autorizar ou licenciar o desmatamento até que seja julgada a ACP ou até a apresentação de um EIA/RIMA atualizado. No caso das obras terem sido iniciadas, o pedido é para que sejam suspensas até o julgamento.

De acordo com o promotor de Justiça, Salomão Abdo, no texto da ACP, o maior desmatamento com autorização legislativa da história do Estado de Pernambuco seria feito de forma rápida e arbitrária, sem que tivesse sido apresentado um EIA/RIMA atualizado sobre os possíveis danos da destruição da vegetação na área e sem tempo hábil para que a sociedade discutisse as consequencias ambientais do empreendimento. Os documentos apresentados datam do ano 2000, ou seja, defasados há 10 anos. Além da questão ambiental, também não foram medidas as consequências sociais do mega empreendimento. “Busca-se com a ACP que a CPRH e o Ibama sejam condenados a apenas autorizar qualquer supressão de vegetação permanente, ou licenciar qualquer obra ou atividade se o Porto de Suape e o Estado de Pernambuco apresentarem o EIA/RIMA atualizado, englobando todo o empreendimento e todas as consequências sociais e ambientais de sua execução, posteriormente, que seja analisado o mérito de tal desmatamento, revendo-se a quantidade de vegetação permanente a ser desmatada”, explica o texto da ACP.

Durante o processo de votação da Lei Estadual 14.046/2010 (que autorizou o desmatamento e expansão do porto), a Assembleia Legislativa (Alepe), como justificativa por ter deixado passar um empreendimento de tamanha capacidade destrutiva, sem os devidos cuidados ambientais e sociais, passou a fazer referência a um EIA/RIMA de 2010. No entanto, este documento não trata da expansão do Porto de Suape, mas sim da reforma do contorno rodoviário do Cabo de Santo Agostinho. “A reforma do contorno rodoviário do Cabo de Santo Agostinho nada tem com o desmatamento que se propõe, que será quase todo em engenhos e manguezais de Ipojuca”, explica o promotor.

O promotor de Justiça de Ipojuca ainda chama a atenção para outro fato: “se o desmatamento capitaneado por Suape e pelo Estado for levado à frente, com a aquiescência da CPRH e do Ibama, as consequências ambientais e sociais poderão ser desastrosas, a exemplo dos ataques de tubarão, da favelização dos pescadores que vivem do manguezal e dos avanços do nível do mar. O Ministério Público não será conivente e omisso com este desmatamento histórico”.
Ainda nos pedidos da ação, está a intimação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) para que através de sua pós-graduação em oceanografia, seja apresentado um estudo sobre a expansão do Porto de Suape e a real necessidade do desmatamento da vegetação permanente, do manguezal e da restinga. Também se requer o reajuste do projeto de expansão do complexo portuário nos termos de estudo técnico a ser apresentado pela pós-graduação em Oceanografia da UFPE e pelo EIA/RIMA.
 



 
 

 
Publicado em 29-07-2010
Uma médica e seus miguelitos

Publicado no Diario de Pernambuco em 29.07.2010 - série
 
Silvia Bessa
silviabessa.pe@dabr.com.br

Quando menos se espera, Miguel Blanke Coelho, de quase três anos, visita a UTI neonatal do Hospital Santa Joana, no Recife. Distribui beijos e abraços, pula, cantarola sua música preferida ("Fico assim sem você", gravada por Adriana Calcanhotto). "Avião sem asas, fogueira sem brasa, sou eu assim sem você...", diz o refrão repetido pelo garotinho. Miguel é um sucesso. Pela simpatia, desenvoltura e por estar tão bem de saúde. Nasceu de seis meses, com apenas um quilo. Passou 58 dias na UTI.

Teve uma infecção e várias paradas respiratórias. O grande número de picadas de agulhas que recebeu (para exames e medicação) fez com que, nos seus dois primeiros anos de vida, fosse arredio ao toque das pessoas, conta a mãe, Isabela: "Ele se retraía assustado quando alguém queria tocá-lo". Tudo mudou. Miguel está com 14 quilos e cursa o Maternal I. Isabela adotou o hábito de voltar regularmente à UTI , com o filho, para rever a equipe que cuidou dele e, por tabela, para renovar as forças das outras mães e pais que têm filhos prematuros sendo tratados no mesmo local.

Na UTI do Santa Joana o pequeno Miguel sente-se como se estivesse em casa. Sabe o nome de médicos e enfermeiras e demonstra intimidade com todos eles. "Cadê tia Poly? Não veio hoje não?", pergunta ele, referindo-se a Polyana Medeiros, técnica de enfermagem. Brinca com outra técnica, Maria Barbosa, como se a mandasse embora: "Vá com Deus!". Entre uma graça e outra, faz um carinho na neonatologista Rosângela Grizzi Carneiro Leão, que o chama de "Miguelito". A médica está há 18 anos cuidando de crianças de UTI no Santa Joana. Já tratou de centenas de bebês - e a forma especial como o faz a torna inesquecível para os pais. "Em um momento que é de muita apreensão para qualquer mãe, ela me passou a segurança de que meu Miguel estava em ótimas mãos e que tudo seria feito para que eu pudesse levá-lo com saúde para casa", diz Isabela Blanke.


Desproporção: o dedão de um pai e o dedinho da filha prematura. Foto: Silvia Bessa/Arquivo pessoal (16/11/2009)
Mulher sorridente e elegante, dra. Rosângela chega de mansinho para apresentar-se a cada mãe que põe os pés na UTI neonatal do Santa Joana. Trata com profundo respeito a "fase do luto", marcada pela dor de se ter uma criança que nada parece com um bebê Johnson. Desde o primeiro dia de UTI, estimula o toque dos pais no corpo do bebê e repete palavras de otimismo. Sempre anuncia as notícias boas antes das más; coloca a mão delicadamente sobre os ombros das mães, quando elas sentem o chão sumir. Foi Rosângela quem olhou para mim e disse: "Vou lutar por Anaís com todo meu amor", em 30 de outubro do ano passado, data na qual pisei pela primeira vez numa UTI neonatal - onde minha filha viveu seus 111 dias.

No Santa Joana ou nos plantões do sábado na UTI pediátrica do Hospital da Restauração (da rede estadual), onde também trabalha, é a mesma Rosângela - que surpreende a mãe colocando o bebê enfermo no colo pela primeira vez, que chama o bebê pelo nome, que faz massagem com hidratante para acalmá-los, que monta rolinhos de pano para evitar que tenham dores lombares, que faz "cabanas" de lençol para contera luz fluorescente sobre a incubadora.

Essa médica me fez notar que havia milhares de mães sofridas como eu, em UTIs de todo o estado, ao dizer certa vez que o sistema de saúde não estava preparado para bebês prematuros, mulheres gestantes e parturientes de alto risco. "É como se o sistema estivesse com uma bronquite e, no lugar de tentarem resolver o problema maior, estão tratando dos calafrios ou da febre", comparou na ocasião.

Para esta série de reportagem, que se encerra hoje, acompanhei a rotina de seis das sete UTIs de hospitais da rede pública do estado. Encontrei outras Rosângelas - médicos que veem além da doença e se dedicam a cada paciente como se ele fosse único. E pude constatar que o sistema continua tratando bronquite como quem trata calafrios.



 
 

 
Publicado em 29-07-2010
Dengue avança em edifícios altos

Publicado no Diario de Pernambuco em 29.07.2010

 Problema foi identificado em 27 bairros do Recife, que lidera o número de casos

Mirella Marques
mirellamarques.pe@dabr.com.br

O Recife já é o município líder em notificações de dengue no estado. A capital, que estava em segundo lugar geral até o último boletim divulgado pela Secretaria Estadual de Saúde (SES), agora ocupa o topo do ranking, com 5.896 casos notificados. Oitocentos e cinco a mais que o registrado no início do mês, de acordo com dados do governo anunciados ontem.
Dona de casa Marlyni Souza não sabia que em cima dos prédios pode existir focos da doença. Foto: Mirella Marques/DP/D.A Press
O problema é que um novo tipo de foco da doença, ainda sem solução aparente, foi identificado na semana passada, após um sobrevoo em 27 bairros da cidade. Em 80% das fotos, foi registrado acúmulo de água nas lajes dos edifícios. Segundo a gerente de Epidemiologia do Recife, Denise Oliveira, as lajes são consideradas potenciais criadouros do mosquito da dengue. O pior é que, por enquanto, ainda não há ação programada para acabar com o problema.

"A análise dos 550 fotogramas tirados no sobrevoo nos surpreendeu. Percebemos que, a cada momento chuvoso, a água se acumula nas lajes dos prédios. Como o Aedes aegypt sobenos edifícios através do elevador, a laje pode se tornar um grande foco de dengue. É uma nova realidade, não tão simples de combater", admitiu a gerente de Epidemiologia do Recife. A novidade assustou a dona de casa Marlyni Rosa Souza, moradora do bairro da Tamarineira, na Zona Norte da cidade. "Quando chove, dá para perceber que as lajes viram espelhos d'água. É preocupante porque não sabia que em cima dos prédios também podem existir focos", afirmou. Ela mora no 6º andar de um prédio na Estrada do Arraial.

Denise Oliveira afirmou, no entanto, que a Secretaria de Saúde do município estuda uma forma de intervir. "Estamos avaliando se as visitas acontecerão por prédio", disse. Por causa da epidemia deste ano, a maior desde 2002, o município intensificou o trabalho de prevenção e combate à doença. Para reforçar as ações, foram contratados 95 agentes de saúde ambiental. "Apesar das lajes, as caixas d'água e tonéis continuam sendo os maiores vetores da dengue", assegurou a responsável pelo controle da doença nacidade.

Agora, as atenções da secretaria municipal estão voltadas para a Zona Sul. Mais especificamente para o bairro nobre de Boa Viagem. Ao contrário do mês passado, quando a Zona Norte dominava o número de casos notificados da dengue, é a Zona Sul que ocupa esse posto atualmente. "A Zona Norte continua preocupando, mas hoje o maior grau de infestação está na Zona Sul. Boa Viagem lidera o alto risco", disse Denise. A especialista acredita que a inversão ocorreu por conta do racionamento de água na região Sul, o que propicia o acúmulo de água nas casas.

A SES confirmou 6.011 casos de dengue em 2010 até o momento, em 171 municípios, de um total de 32.136 notificações. Os dados representam um aumento de incidência de 459,96% em relação ao mesmo período do ano passado (que registrou 1.234 casos). Os dez municípios com os maiores números de notificações de dengue são: Recife (5.896), Caruaru (5.610), Salgueiro (1.881), Petrolina (1.771), Jaboatão dos Guararapes (1.594), Paulista (894), Cabo de Santo Agostinho(816), Ouricuri (653), Moreno (643) e Quixaba (513). Essas cidades representam 63,08% dos casos notificados.



 
 

 
Publicado em 29-07-2010
A verdade nua e crua

O depoimento da deputada Terezinha Nunes ao Jornal do Commercio sobre a política no estado da Paraíba foi repercutido no blog de Fred Menezes. Confira: 

Do blog de Fred Menezes em 28.07.2010

Ao falar para o Jornal do Commercio sobre os 80 anos da morte de João Pessoa, a paraibana Terezinha Nunes, deputada estadual por Pernambuco, detonou: “Com o assassinato de João Pessoa, tido como herói na Paraíba, a história mudou, mas a política de caráter exacerbado é até hoje uma característica paraibana. Não sei se porque a Paraíba não tem muitos recursos naturais e possui uma economia que fica muito a dever às necessidades de sua população, mas o certo é que, na Paraíba, muito mais do que em Pernambuco, a política é a coisa mais importante do Estado. As campanha são acirradas, parece que o mundo vai acabar”.

 



 
 

 
Publicado em 28-07-2010
Assalto com ares cinematográficos

Publicado no Diario de Pernambuco em 28.07.2010

     
Bandidos numa Hillux entram na pista, batem em aeronave e conseguem levar malotes. Só que cheios de cheques e documentos

Rafael Dias
rafaeldias.pe@dabr.com.br

O aeródromo Oscar Laranjeira, em Caruaru (Agreste), a 140 km do Recife, foi alvo de um assalto com ares cinematográficos na noite de segunda-feira. Um avião bimotor modelo Navajo, de prefixo não divulgado, que pertence à empresa paulista JAD Taxi Aéreo, foi interceptado, alvejado e assaltado por bandidos a bordo de uma Hillux preta, de placas KHH 5126, que invadiram a cabeceira da pista, por volta das 19h.
Aeronave com avarias ficou no hangar durante todo o dia de ontem e passou por vistorias. Foto: Cecília de Sá Pereira/DP/D.A Press
A aeronave, ocupada por um piloto e um tripulante, preparava-se para levantar voo para João Pessoa (Paraíba), quando sofreu o impacto da carroceria do veículo em uma das asas, antes de ser rendida por oito homens armados de pistolas e armas de cano longo. Uma investida tão espetacular quanto fracassada. Os malotes que a empresa de taxi aéreo transportava continham cheques e notas de compensação bancária, e não dinheiro.

Mas o que impressiona foi a facilidade com que os ladrões tiveram para invadir a pista. A segurança do local é feita apenas por dois guardas patrimoniais e se restringe ao terminal de passageiros, enquanto a pista fica desguarnecida, com os fundos "protegidos" por cercas de arame farpado. De acordo com informações da Polícia Federal de Caruaru, os assaltantes usaram um acesso por uma estrada de terra batida por trás do aeroporto para chegar até a cabeceira. Depois de tentar impedir a partida jogando o carro utilitário contra a aeronave, eles chegaram a efetuar vários tiros, três deles atingiram uma das janelas do táxi aéreo.

Na fuga, levaram uma parte da carga transportada, apenas 15 dos 58 malotes. A Hillux, que foi encontrado horas depois abanadonada à distância de 1 km do aeroporto, na direção da estrada que dá acesso ao Alto do Moura, também ficou com avarias na carroceria e teve o párabrisa estilhaçado. Segundo a polícia, o automóvel foi roubado no Rio Grande do Norte e a placa seria fria.

Até ontem à noite, o veículo e o avião permaneciam dentro do hangar do aeródromo. Sete funcionários da PF (dois peritos, um papiloscopista, dois agentes e um delegado), alguns deles acionados do Recife, passaram o dia inteiro realizando a perícia técnica não somente nos dois objetos como também na pista na tentativa de encontrar algum vestígio. Ninguém foi preso.

"Eles se esconderam na vegetação e, na saída, quebraram a cerca de arame. Nós recolhemos o veículo e devemos concluir a análise amanhã (hoje). A perícia está sendo muito detalhada", declarou o delegado-chefe da PF em Caruaru, Humberto Freire, que designou o delegado Dário Sá Leitão para especialmente apurar o caso. As diligências começaram ainda ontem. Pela manhã, foram ouvidos o piloto e o co-piloto, de nomes não-informados, que ajudaram o órgão a reconstituir o assalto. Hoje outras pessoas devem ser chamadas a prestar esclarecimentos.

Ontem, o aeroporto funcionou normalmente. No entanto,a única empresa que mantém voo diário do Recife para Caruaru, Noar Linhas Aéreas, cancelou o voo, mas não em função do assalto,e sim por problemas na aeronave, segundo informou a assessoria de imprensa da companhia. A empresa comunicou que hoje manterá a rota operando normalmente.

Cheques - A polícia informou ainda que a aeronave havia sido contratada pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) para recolher e devolver cheques compensados, contratos e títulos bancários. O gestor do sistema de aeródromos de Pernambuco, Fernando Maranhão, disse que o trajeto era feito em dias úteis (segunda a sexta-feira), de forma regular e com horários definidos. Às 5h40, o avião partia do Recife e pousava às 7h30 em Caruaru, passando por João Pessoa. E, na volta, fazia o percurso inverso, Às 18h50 de anteontem, o táxi fretado tentava mais uma vez sair com os papelotes dos bancos de Caruaru quando teve o destino mudado. "Esses papéis não têm validade para troca. A tentativa acabou sendo um fracasso", comentou Maranhão.

Com sede em Jundiaí (SP), a JAD Taxi Aéreo existe há oito anos e atua em todo o território brasileiro. Procurada pelo Diario, a empresa declarou, em nota oficial, que, por orientação da PF, passará o mínimo de informações. Sem confirmar o trajeto feito pela aeronave, limitou-se a dizer que o material roubado são documentos sem valor comercial ou monetário.

Como aconteceu

 


Por volta das 19h da segunda, a aeronave contratada pela Febraban taxiava no aeródromo de Caruaru quando foi atingida em uma das asas por uma Hillux preta, que havia saído da cabeceira da pista, de forma inesperada, e que propositadamente se chocou contra a aeronave

 


No veículo, entre seis a oito homens começaram a atirar contra o avião. Pelo menos três atingiram a aeronave. O piloto parou e os bandidos obrigaram ele e o copiloto a descer (os bandidos estavam de capuz e luvas), armados de pistolas e armas longas


Arte: Greg/DP/D.A Press


Eles pegaram cerca de 15 malotes, de um total de 58 que estavam no avião, entraram na Hillux e fugiram destruindo a cerca de arame farpado do aeródromo. Nos malotes, havia cheques e documentos de compensação bancária. O veículo foi encontrado a 1 km do aeroporto



 
 

 
Publicado em 28-07-2010
Quando o filho chora e a mãe não vê

      
No penúltimo dia da série, o trabalho pouco conhecido dos profissionais que trabalham em UTI neonatal em Pernambuco

Silvia Bessa
silviabessa.pe@dabr.com.br

Trabalhar numa UTI neonatal é cuidar de um recém-nascido que chora quando a mãe não vê, é oferecer a mão protetora na ausência do pai. É manter o equilíbrio antes de lamentar pela piora de um bebê; é sentir o estresse de estar numa atividade escolhida por poucos trabalhadores da saúde.


É dedicar-se ao filho dos outros como se fosse o seu. Para médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem, atuar numa UTI de bebês prematuros, de baixo peso ou crônicos, é também sofrer com mães, pais e avós das crianças, mesmo que a regra de trabalho recomende certo distanciamento. "A gente mora com eles. Sofremos quando um ou outro piora, choramos quando o pior acontece, ficamos felizes quando melhoram", diz uma dessas profissionais, Elmira dos Anjos, há 15 anos trabalhando em UTI neonatal.

Elmira cuida de bebês de famílias desconhecidas da mesma forma como cuida de Davi, filho nascido da barriga dela. Davi foi prematuro de 28 semanas (cerca de seis meses) e ficou com sequelas neurológicas após o parto. Desde que nasceu, há um ano e meio, ele está internado no Hospital Memorial São José. Elmira o visita diariamente, durante o dia. Tem prazer em vesti-lo com pijama de seda (como o vemos na foto acima), briga com os médicos para colocar brinquedos no leito dele (precisam ser esterilizados para evitar riscos de bactérias), conversa com ele, lhe faz carinho - não tem amargura pelo fato de o berço de Davi ser um leito de UTI. "Ele gosta dessa agitação toda. Não fala, mas eu sei que ele gosta. E adora quando eu me aproximo", acredita ela.


Dessa turma de medicina da UFPE, com 70 alunos, apenas sete pensam em fazer pediatria
À noite, Elmira trabalha como auxiliar de enfermagem plantonista da UTI neonatal do Hospital Santa Joana, da rede particular do Recife. Incentiva as mães a interagir e cuidar de seus bebês como se estivessem em suas casas. "Converse com o bebê que sua voz vai acalmá-lo", recomenda para uma mãe que acaba de chegar na UTI. "A senhora não tem um pijama para o bebê trocar no final da noite? Se puder, traga algo cor de rosa", sugere à mãe de uma menina prematura, que já saiu da fase das fraldas tamanho PP. "Preste atenção no crescimento do bebê para ver se a roupa não está pequena. Eles crescem que a gente não vê", diz a uma terceira. Nenhuma delas sabe que Elmira tem um bebê vivendo numa UTI. Discreta, ela nunca fala do seu drama pessoal.

São muitos os profissionais que, a exemplo de Elmira, enfrentam diariamente os problemas de uma UTI neonatal e cuidam dos bebês com eficiência profissional e amor. São médicos neonatologistas (pediatra especializado em bebês prematuros), enfermeiros e outros auxiliares de UTIs neonatais das redes privadas e públicas que tratam de recém-nascidos e lidam com as famílias. Assim como o universo das mães e pais de UTIs, o dos profissionais que trabalham na área carece de estudos sobre o impacto psicológico da prematuridade nessas pessoas e por ser cada vez mais preterido por quem está em formação.

 



 
 

 
Publicado em 28-07-2010
OEA pede proteção para os familiares de Mattos

Publicado no Jornal do Commercio em 28.07.2010


A Comissão Interamericana de Direitos Humanos da entidade solicitou segurança para os parentes de Manoel Mattos, os deputados Fernando Ferro e Luiz Couto e a promotora Rosemary Souto Maior

A Organização dos Estados Americanos (OEA) solicitou que o Estado brasileiro, por meio da Polícia Federal, ofereça proteção a pessoas ligadas ao ex-vereador Manoel Mattos, assassinado em janeiro do ano passado.
A Comissão Interamericana de Direitos Humanos da entidade pediu segurança especial para familiares da vítima, para os deputados Fernando Ferro (PT-PE) e Luiz Couto (PT-PB) e para a promotora de Justiça Rosemary Souto Maior de Almeida.

A OEA também solicita “que haja uma investigação séria e exaustiva dos fatos que originaram as medidas cautelares, a fim de determinar os responsáveis, e por fim ao risco que sofrem os beneficiários das medidas.”

Para o deputado Fernando Ferro, a medida é importante para formalizar o problema. “Já vinha solicitando a proteção da Polícia Federal quando ia para a região (Mata Norte). Mas essa determinação é importante para que isso seja formalizado. Nunca fui ameaçado, mas muitas pessoas me alertam e dizem ter ouvido conversas sobre mim”, destacou.

Desde a morte de Manoel Mattos, em 24 de janeiro de 2009, no município de Pitimbu, litoral sul da Paraíba, familiares e testemunhas do caso já foram ameaçadas ou vítimas de atentados.

No início do mês passado, o comerciante Maximiniano Rodrigues, 47 anos, considerado uma das principais testemunhas do processo, foi baleado de raspão na cabeça. Atualmente, ele está sob proteção do governo do Estado.

No início da noite de ontem, a Polícia Federal informou, por meio da assessoria de comunicação, que ainda não havia sido comunicada oficialmente da recomendação da OEA. Essa mesma comissão da OEA determinou, em 2002, que o Brasil adotasse medidas cautelares para proteção de Manoel Mattos, militante dos direitos humanos na região de divisa entre os estados de Pernambuco e Paraíba.

Cinco pessoas foram indiciadas pelo crime e quatro delas estão presas: o policial civil Sergio Azevedo, Cláudio Borges, José da Silva Martins e o PM Flávio Inácio Pereira.

 



 
 

 
Publicado em 28-07-2010
Polícia Federal prende 21 em operação contra pedofilia

Publicado no JC Online em 28.07.2010, às 08h26

A Polícia Federal (PF) prendeu ontem 21 suspeitos durante a Operação Tapete Persa contra a exploração, abuso sexual e pedofilia na Internet. Entre os presos está um coronel da Polícia Militar.

A operação foi realizada em Alagoas, Ceará, Goiás, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e no Distrito Federal. Mais de 400 policiais federais participaram da ação.

As prisões são consequência da Operação Perserttepich & Collection, deflagrada em junho de 2009, pela polícia alemã, que realizou o monitoramento de redes na Internet utilizadas para o compartilhamento de imagens e vídeos de violência sexual contra crianças e adolescentes.

Os usuários brasileiros foram identificados após essa varredura da rede mundial de computadores. Os fatos foram informados à representação da Interpol, no final do ano de 2008, chegando ao conhecimento da Divisão de Direitos Humanos da Polícia Federal, que iniciou as investigações no primeiro semestre de 2009.

Fonte: Agência Estado

 



 
 

 
Publicado em 27-07-2010
ONG ligada a Delúbio é condenada

Publicado no blog do Noblat em 27.07.2010

Organização criada por petistas era fachada para repasse ilegal de verba do Incra e terá de devolver R$ 7 milhões

A Justiça Federal em Goiás condenou o Instituto Nacional de Formação e Assessoria Sindical (Ifas), organização não governamental ligada à CUT e ao PT, a devolver R$ 7 milhões aos cofres públicos.

Segundo denúncia do Ministério Público Federal, a ONG funcionava como fachada para um esquema de repasses ilegais de verbas do Incra, no qual o real beneficiário era a Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Fetraf).

O Ifas foi criado em 1985 por militantes do PT, entre eles o ex-tesoureiro nacional do partido Delúbio Soares, além de dirigentes do setor agrário e da educação de Goiás.

A decisão é do juiz da 4 Vara, Juliano Taveira Bernardes, com base em irregularidades constatadas pela Procuradoria da República em contratos firmados por ONGs com o Incra.

Segundo o procurador Raphael Perissé, o Ifas teria tido atuação meramente formal no contrato com o Incra em 2006 e, mesmo sem apresentar capacidade técnica para celebrar o convênio, a entidade conseguiu a aprovação de um projeto de R$ 7 milhões em tempo recorde de 14 dias.

A ONG foi investigada pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) aberta no Senado em 2008 para apurar irregularidades em contratos firmados pela União com entidades espalhadas pelo país.

Segundo o procurador, a finalidade inicial do projeto era a capacitação de 9.375 assentados em 12 estados brasileiros.

Na investigação, o MPF descobriu que a sede da ONG não passava de uma casa fechada e abandonada em Goiânia, sem qualquer estrutura física para comportar uma entidade que se comprometeu, no convênio, a oferecer contrapartida de R$ 768.417,60 "na forma de bens e serviços". Leia mais em O Globo.



 
 

 
Publicado em 27-07-2010
O mico e a pressa

Publicado em O Globo

Míriam Leitão

Um plano nacional de contingência para conter vazamento de petróleo é o que o Brasil deve fazer diante das novas circunstâncias criadas pelo desastre do Golfo do México. O que deve ser abandonada é a atitude de que os estrangeiros não sabem nada, e nós sabemos tudo, que está em cada declaração do governo. A postura é arrogante, e mostra desconhecimento de como funciona o setor.

"Esse pessoal da Europa não tem a experiência que nós temos", como disse ontem o diretor-geral da Agência Nacional de Petróleo (ANP), Haroldo Lima, na entrevista a Ramona Ordoñez, publicada em O GLOBO.

A British Petroleum foi a primeira empresa a sair da sua região para explorar o petróleo. Antes desse desastre, a BP usou a mesma sonda para perfurar outro poço a mais de 10 mil metros, no campo de Tiber, onde a Petrobras participa.

A Petrobras é sócia desse "pessoal da Europa", para usar a expressão de Haroldo Lima. No poço que deu o problema, o de Macondo (a obra-prima de Gabriel García Márquez não merecia isso), a BP está associada à Anadarko que é a única empresa que no Brasil encontrou petróleo no pré-sal sem estar associada à Petrobras. Ninguém está sozinho ou detém uma tecnologia só sua nesse setor.

— A indústria de petróleo se desenvolve pela interação que existe entre empresas especializadas em serviços e as grandes companhias de petróleo — diz Wagner Freire, ex-diretor de Exploração e Produção da Petrobras.

O professor Helder Queiroz, do Grupo de Economia da Energia da UFRJ, confirma:

— As tecnologias das empresas são as mesmas, as empresas parapetrolíferas fornecem serviços que são contratados por todas as companhias. A competição e a cooperação entre as firmas é que faz avançar a tecnologia. E isso ficou confirmado na reunião de Houston, quando estiveram 200 empresas do setor discutindo o problema do Golfo do México.

A Petrobras teve quatro acidentes, dois em Enchova, um em Roncador e o da Refinaria Duque de Caxias. Todos com pouco impacto ambiental exceto o vazamento na Baía de Guanabara.

Esse histórico já deveria dar à empresa, ao governo brasileiro e à ANP um pouco de humildade. Essa é uma atividade de risco, a nova fronteira de exploração de petróleo é offshore, mesmo que dois terços da produção ainda sejam em terra, a produção de petróleo no mar do Golfo é maior do que a do Brasil.

Enfim, há vários motivos para redobrar os cuidados e nenhum para a atitude de superioridade que o governo brasileiro tem demonstrado em seus atos e palavras.

Um fato de pouca repercussão, mas da maior gravidade, é o acidente que acabou de acontecer no Libra, poço que a Petrobras estava perfurando para a ANP na Bacia de Santos. Na visão de Wagner Freire, a situação é toda estranha:

— A perfuração acontece à margem da legislação e das disposições legais porque não é concessão, apesar de ser esse o regime vigente. E como é um poço para a agência reguladora fica mais estranho. A ANP não tem condição de ser operadora e não se sabe a que título a Petrobras está perfurando, se é terceirizada da agência ou não. Não fica claro também a responsabilidade de cada um.

Houve um desmoronamento ao perfurar a área de sal e isso pode ter provocado um prejuízo de alguns milhões de dólares, segundo Freire.

Helder admitiu que tudo foi muito confuso nessa exploração que está acontecendo fora de blocos de concessão.

— A decisão de mudar o marco regulatório atrasou uma série de medidas de licitação. A forma de contornar isso foi começar a perfurar com a ANP entrando em situação emergencial para tentar evitar a descontinuidade. A suspensão das licitações fez com que várias empresas, que achavam o Brasil um mercado atraente, ficassem sem investir — lembrou o professor.

Na entrevista de ontem, Haroldo Lima disse que é preciso pressa porque os Estados Unidos, depois do acidente, vão investir mais em outras fontes. "As energias alternativas podem tornar mais dispensável o petróleo que temos aqui, por isso temos que correr um pouco atrás desse nosso petróleo. Temos que nos adiantar para evitar que a gente fique com um mico", disse o diretor da ANP à Ramona.

 



 
 

 
Publicado em 27-07-2010
TST entra na era digital para diminuir tempo de julgamento de processos

Publicado no pe360graus.com em 27.07.2010


A partir da semana que vem, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) vai receber apenas recursos eletrônicos. Até dezembro o tribunal pretende acabar de vez com os processos em papel. Atualmente um processo leva até seis meses para chegar às mãos de um ministro. Prazo que, com a mudança, deve cair para dois dias.

Quase 23 anos esperando. Os 180 clientes do advogado José Alberto Maciel já ganharam a ação coletiva na Justiça. Mas até agora, “a ação começou em 1985, nem lembro mais. Dois advogados e 50 empregados já morreram”, conta Maciel.

A lentidão da Justiça tem vários motivos. Um deles é que os processos são de papel. Só no Tribunal Superior do Trabalho, 173 mil processos aguardam julgamento. Mil novos processos por dia. Quando chegam, têm que ser conferidos, copiados, encadernados.

“Muitos processos nos gabinetes. Há papel em todo lugar”, diz a técnica judiciária Isabel Soares Porto.

A partir de 2 de agosto, o tribunal só vai receber recursos eletrônicos, pelo computador. Hoje, quando um processo sai de um tribunal regional para ser julgado em Brasília, passa pelas mãos de muita gente. Vai pelos Correios, de caminhão. Só no transporte pode demorar seis meses. Com o processo eletrônico, o tempo deve cair para dois dias.

Os processos antigos estão sendo digitalizados. Os arquivos eletrônicos vão ficar em uma sala-cofre, protegidos contra incêndios e inundações. Não será preciso gastar com transportes, máquinas copiadoras e funcionários terceirizados para carregar os papéis.

“A economia vai ser fantástica”, calcula o presidente do TST Milton de Moura França. Dinheiro usado até para a manutenção dos carrinhos de mão usados para levar a papelada de um lado para o outro.



 
 

 
Publicado em 27-07-2010
Justiça pesquisa situação de crianças e adolescentes em abrigos

Publicado no Pernambuco.com em 27.07.2010


A situação de 14.429 crianças e adolescentes que estão em 1.488 unidades de acolhimento em todo o país começa a será detalhada em um diagnóstico que começa a ser elaborado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) hoje (27). O objetivo é reduzir o tempo de permanência nos abrigos para garantir a reintegração à família biológica ou a adoção, se for o caso.

Até o final de outubro, os juízes responsáveis pelas coordenadorias estaduais de Infância e Juventude realizarão audiências para verificar a situação pessoal e processual de cada criança e adolescente acolhido no país, assim como os locais que recebem esses meninos e meninas.

A medida está prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que estabelece que a revisão deve ser feita a cada seis meses, mas ainda não é cumprida em todo o país. “Para o juiz que já faz o controle completo, essa é uma medida que não faz diferença. Ela é direcionada àqueles que não seguem o estatuto, especialmente os juízes que atuam sozinhos em uma comarca decidindo ações de todas as áreas e não têm meios de fazer o controle”, afirma o vice-presidente para Assuntos da Infância e Juventude da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Francisco Oliveira Neto.

Segundo o juiz auxiliar da Corregedoria do CNJ, Nicolau Lupianhes, ao coordenar a revisão, o conselho visa a estimular o trabalho. “Pretendemos que, no futuro, os tribunais coordenem as revisões por si só, atendidas as peculiaridades locais”. Além dos juízes, participarão das audiências advogados, membros do Ministério Público e da Defensoria Pública. “O defensor e o advogado vão mostrar o que a criança precisa, o Ministério Público vai requerer, e juiz vai deferir ou não”, explica Lupianhes, coordenador da ação do CNJ.

As crianças e os adolescentes não serão os únicos ouvidos: parentes e profissionais que trabalham nos abrigos, como psicólogos e assistentes sociais, também passarão pelas audiências. Apesar do prazo final para encerramento das revisões ser um só, cada juiz coordenará o calendário nas unidades de acolhimento sob sua jurisdição. O CNJ lança o projeto oficialmente na tarde de hoje em uma unidade de acolhimento na cidade de Luziânia (GO).

Da Agência Brasil



 
 

 
Publicado em 27-07-2010
Insegurança exposta - editorial do JC

Publicado no Jornal do Commercio em 27.07.2010


Em entrevista ao jornal argentino La Nación, em fevereiro deste ano, a diretora do Museu de Arte Moderna de Buenos Aires (Mamba), Laura Buccellato, afirmou que a realização de feiras e festivais de arte e a profissionalização dos curadores tem proporcionado a revalorização do patrimônio artístico no país, pela conscientização de que “cultura não é gasto, é investimento”.

Enquanto os museus no país vizinho buscam ampliar e requalificar os seus acervos, no Brasil temos problemas mais básicos, como a manutenção precária de prédios literalmente caindo aos pedaços. A falta de segurança dominante foi evidenciada pelo recente roubo do quadro Enterro, de Portinari, do Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco (MAC), em Olinda.

O quadro agora integra a lista de obras procuradas pela Interpol, órgão de polícia internacional sediado na França. Com valor estimado em até R$ 1,2 milhão, a subtração da pequena tela em óleo sobre madeira trouxe à tona a persistência de um grande mal nacional: o descaso com o patrimônio artístico e cultural. Os nossos museus, ao contrário do que ocorre em outros países, em geral recebem pouca visitação. Viraram meros depósitos de luxo - ou nem isso, já que as condições de armazenamento das obras deixam muito a desejar. Não é diferente no MAC, onde os ladrões provavelmente saíram pela porta da frente em um dia qualquer dos últimos meses, após retirar a pintura da moldura.

Dentre as 4 mil peças do valioso acervo, constam nomes como Cícero Dias, João Câmara, Burle Max e Francisco Brennand - todos expostos à vulnerabilidade gerada pelo descaso político responsável, em última instância, pela penúria administrativa que assola os museus no Brasil inteiro. É a mesma penúria e o mesmo descaso que provocaram o incêndio do Instituto Butantan, em São Paulo, no mês de maio. Como enfatizamos na época, a preservação de qualquer tipo de memória no Brasil - científica ou artística - é dificultada pela burocracia, que emperra o processo de modernização da infraestrutura, ou pelo desvio do dinheiro que deveria ser usado com esse fim.

Em relação ao MAC, a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) prometeu instalar segurança eletrônica até o próximo dia 16 de agosto, quando duas novas exposições serão abertas. Trata-se de uma providência que não precisava ter esperado o furto para ser anunciada, e depois dele, a recomendação explícita da Polícia Civil de que o museu só voltasse a funcionar com segurança adequada. Assim, o anúncio da Fundarpe soa como o cumprimento formal de uma obrigação negligenciada, finalmente cumprida - ou ao menos se acredita que seja - em virtude das cobranças da mídia e da sociedade diante da perda de uma obra cara e famosa. Para piorar, o órgão estadual se encontra às voltas com denúncias sobre a aplicação de recursos em shows e eventos contratados a empresas fantasmas e com pagamentos efetuados através de notas fracionadas, para escapar da lei de licitações. As denúncias contra a Fundarpe, que ainda não foram esclarecidas, parecem ratificar a lógica política que prioriza ações de promoção a investimentos culturais de fato, nos moldes dos que têm sido feitos nos museus da Argentina.

É lamentável que o governo do Estado tenha necessitado ser surpreendido com um furto de repercussão mundial para enxergar a deficiência crônica na segurança do nosso patrimônio artístico. A aplicação de R$ 2 milhões anuais, daqui em diante, tão pouco é satisfatória, na medida em que é prometida às vésperas de uma eleição, como reação imediata a um caso de polícia. Em que se basearam os gestores públicos para chegar a esta quantia? Foi feito algum levantamento das necessidades? É muito ou é pouco, para garantir a integridade das obras, em comparação, por exemplo, com o montante gasto anualmente com shows e eventos em Pernambuco? O roubo do Portinari lesou o patrimônio de todos nós. É preciso cobrar das autoridades uma política consistente de valorização dos acervos, sem o que uma efetiva solução para a proteção física dos museus continuará sendo protelada.



 
 

 
Publicado em 26-07-2010
Alagoas vive onda de assassinatos de moradores de rua

Publicado no JC Online em 26.07.2010


O morador de rua Adriano Vieira da Silva, de 22 anos, foi morto a tiros domingo à noite quando dormia num ponto de ônibus no centro de Maceió. A vítima foi atingida por uma bala no peito. Segundo o Centro Integrado de Operações da Defesa Social, com a morte dele, sobe para dez o número de moradores de rua assassinados só este ano em Alagoas.

Segundo testemunhas ouvidas pela polícia, os suspeitos dos disparos são três homens, que cometeram o crime e fugiram de bicicleta. Adriano teria tentado escapar, mas não resistiu aos ferimentos e morreu em frente ao prédio Instituto Federal de Alagoas, antigo Cefet. De acordo com a polícia, ele era usuário de drogas e não tinha residência fixa.

O secretário municipal de Direitos Humanos e Cidadania, Pedro Montenegro, disse que pediu ao Ministério Público Estadual que apurasse as mortes dos moradores de rua. Ele desconfia que por trás dos assassinatos esteja um grupo de extermínio, que estaria realizando uma "limpeza social" nas ruas da cidade. Para Montenegro, a impunidade tem estimulado esse tipo de crime.

Fonte: Agência Estado



 
 

 
Publicado em 26-07-2010
Morte neonatal é maior desafio da mortalidade infantil

Publicado no Diario de Pernambuco em 26.07.2010


Silvia Bessa
silviabessa.pe@dabr.com.br

Fazer um carinho num bebê por uma caixa acrílica transparente é aliviar uma dor brutalizada; ignorar fios e sondas é redescobrir o prazer de amar. Cíntia Nunes, de 18 anos, amou o filho até o último minuto.


Ela havia passado a noite ao lado da incubadora aquecida a 32 graus, alisando o pequeno Matheus na UTI neonatal do Hospital Memorial Guararapes (Jaboatão dos Guararapes). Matheus, e suas 970 gramas, desafiou todas as más condições de assistência a bebês prematuros. Nasceu de sete meses em uma ambulância, quando a mãe era transportada de Garanhuns (no Agreste) para o Recife. "Fiquei no hospital de Garanhuns segurando as pernas. 'Prenda mais, prenda mais', diziam. Me colocaram no carro. Vim deitada de lado. Depois de oito horas não aguentei mais. Ele nasceu na entrada de Gravatá,", conta.

Matheus foi levado às pressas para um hospital em Gravatá. Como o município não possui UTI, precisou ser encaminhado imediatamente para o Recife, a 80 quilômetros. "Parecia que a viagem não ia acabar nunca", relembra Cíntia. No Recife eles foram para o Imip: "Ficamos três dias lá, mas a UTI neonatal estava lotada e tivemos de ir para outro hospital". Foram para Jaboatão, onde encontraram leito no Memorial Guararapes - vaga para Mateus, o bebê, mas não para Cíntia, a mãe. O hospital dispõe de um alojamento para receber as mães (uma casa de apoio), que passa por reforma e naquele dia estava com todos os lugares ocupados. "Eu disse que podiam colocar um colchão junto da incubadora que eu ficava lá, sem problemas", diz Cíntia. A insistência foi bem sucedida: ela acabou ganhando uma vaga no alojamento.

No Memorial Guararapes, Matheus recebeu o suporte que precisou. Resistiu o quanto pôde. Mas há desfechos que não se consegue evitar. Com 20 dias de vida, depois de ter saído de Garanhuns, nascido numa ambulância na entrada de Gravatá, transferido para o Recife e depois para Jaboatão, Mateus morreu.


Kátia com Rita
A história dele é emblemática do quadro que envolve a maior parte das mortes de prematuros: afalta de UTI neonatal nos municípios mais distantes (em Pernambuco, por exemplo, existe apenas uma no interior, em Petrolina, com apenas seis vagas); a má qualidade das consultas pré-natal; ausência de estrutura para a gestante e para o bebê de alto risco e a ineficiência do sistema de saúde brasileiro no controle da mortalidade de bebês com menos de um mês. "70% das mortes de recém-nascidos ocorrem por causas evitáveis", segundo relatório do Ministério da Saúde.

A mortalidade infantil (taxa de óbitos de crianças menores de um ano) no Brasil teve uma redução de 60% nas duas últimas décadas - passou de 47 para cada mil nascidos vivos, em 1990, para 19 em 2008. A queda só não foi maior em virtude do número de mortos de bebês com menos de um mês - é a chamada mortalidade neonatal, que em 1990 era responsável por 49% do total da mortalidade infantil e em 2008 chegou a 68%.

"Reduzir a taxa de mortalidade neonatal é o grande e maior desafio do país", afirma Elsa Giugliani, coordenadora da Saúde da Criança do Ministério da Saúde. "Tanto que este é o foco do Pacto pela Redução da Mortalidade Infantil, firmado pelo governo Lula em 2009". O primeiro conjunto de medidas para frear a mortalidade, de acordo com a Rede Neonatal, entidade sediada em São Paulo que reúne 16 instituições no país, é dispor de mais recursos para conter a prematuridade, fazer planejamentos e estudos epidemiológicos, hierarquizar e regionalizar serviços de saúde municipal, estadual e federal. Quanto mais se demora para aplicá-las, mais Matheus se vão. Leia mais

 



 
 

 
Publicado em 26-07-2010
Carismáticos ajudam Mata Sul

Publicado no Jornal do Commercio em 26.07.2010


Evento católico, na tarde e noite de ontem, em Olinda, arrecadou três toneladas de produtos para vítimas das enchentes no interior de Pernambuco

Fé e solidariedade caminharam de mãos dadas, ontem à tarde, na 29ª edição do Enchei-vos do Espírito de Deus, evento organizado pela Renovação Carismática Católica (RCC). As mais de 15 mil pessoas que compareceram ao Chevrolet Hall, em Olinda, no Grande Recife, para um dia de orações e louvores também doaram alimentos, roupas e material de limpeza para as vítimas das enchentes que atingiram Pernambuco no mês passado.


Cerca de três toneladas de donativos foram arrecadados no evento, que teve início às 13h30 e entrou pela noite. Os produtos foram entregues à Comissão de Defesa Civil de Pernambuco (Codecipe).

Os católicos carismáticos comemoraram o Dia de Pentecostes, tradicionalmente o 40º dia após a Páscoa, que este ano foi celebrado em 23 de maio. Por falta de um ginásio disponível no primeiro semestre, no entanto, a organização do encontro precisou montar a festa, pela primeira vez, em julho, dois meses depois.

Pela quantidade de participantes, está sendo considerada uma das maiores edições do Enchei-vos, que em 2008, reuniu 18 mil católicos carismáticos. De acordo com a coordenadora da RCC, Graça Amorim, foi uma opção da organização do evento diminuir o número de pessoas.

“A capacidade da casa é de 15 mil pessoas. Em 2008, o acesso era feito por um adesivo, o que acabou facilitando a entrada de mais pessoas. Por motivo de segurança, este ano resolvemos adotar o uso de pulseiras”, explicou.

Com uma programação vasta, de DJ que tocava músicas religiosas a uma missa presidida pelo arcebispo de Olinda e Recife, dom Fernando Saburido, a multidão, cuja maioria era formada por jovens, não arredou o pé até às 21h. Em frente ao Chevrolet Hall, mais de cinquenta ônibus estacionados revelavam que uma multidão estava lá dentro.

Para a estudante Gabriela da Silva, 17 anos, a juventude tem se engajado cada vez mais nas programações da Igreja Católica. “Adoro participar porque a gente faz oração e canta. Aqui é muito animado e o melhor, estamos falando e cantando do amor de Deus”, afirmou.

Um dos momentos mais emocionantes da programação foi a hora da adoração do Santíssimo, que contou com a participação de frei Josué Pereira, de Brasília. Participaram do evento também Irmão Kleber, Assis Rocha e DJ Angelus.

Já por volta das 20h, dom Fernando Saburido celebrou uma missa. Foi a primeira vez que o arcebispo participou do evento, já que ele assumiu o cargo no ano passado.

O antecessor dele, dom José Cardoso, apesar de apoiar a Renovação Carismática Católica, não costumava ir à festa.

DOM CLEMENTE

A Igreja das Fronteiras, onde dom Hélder Câmara celebrou missas por duas décadas, foi o palco, ontem, do aniversário de 50 anos de bispado e 93 anos de idade do amigo dele, dom Clemente Isnard.

Nascido no Rio de Janeiro, o bispo emérito de Nova Friburgo, que chegou a participar do Concílio Vaticano II, chama Recife de casa, por isso escolheu a capital pernambucana para a celebração.

 



 
 

 
   
 
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Jornalista responsável Margarette Andrea