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Transpernambucana
Artigo publicado no Diario de Pernambuco
Data: 29 de dezembro de 2005
Pernambuco experimenta, neste final de 2005 e início
de 2006, um clima de euforia representado pelo anúncio
dos grandes investimentos que nos chegam na esteira do trabalho
desenvolvido a nível local pelo governador Jarbas Vasconcelos
para dotar o estado da infra-estrutura necessária à
atração dos capitais públicos e privados,
dos quais ficamos privados durante décadas.
Entre esses investimentos o de maior significação
para o estado como um todo, porque o cortará de leste
a oeste, é, sem dúvida, a Trasnordestina. Para
garantir esse investimento o governador trabalhou com afinco
e determinação.
Primeiro fazendo com que o estado participasse, através
da Secretaria de Desenvolvimento Urbano, da própria
equipe que elaborou o projeto novo, capaz de atrair, como
aconteceu, o interesse de órgãos públicos,
como o BNDES, a Adene e o BNB, e privados, como é o
caso da CFN e dos investidores chineses.
Da mesma forma, com o apoio do senador Sérgio Guerra,
que sempre acreditou no projeto e o defendeu, estivemos e
estamosna linha de frente na consolidação do
investimento em território pernambucano. Tão
logo o presidente Lula anunciou a aprovação
da engenharia financeira da Transnordestina, o governador
assinou ordens de serviço para elaboração
dos projetos executivos dos novos trechos pernambucanos, o
que nos permitiu sair na frente e garantir, por antecipação,
que a obra da ferrovia começará em nosso Estado.
Como é do seu estilo, o governador Jarbas não
faz alardes. Trabalha em silêncio mas permanentemente.
Ao invés de entrar numa guerra com o estado do Ceará,
que também será beneficiado, Pernambuco se preparou
profissionalmente para seguir na frente sem as bravatas que
muitas vezes caracterizaram nossa disputa por investimentos
com outros estados nordestinos. Lutas que, diga-se de passagem,
não deram em nada.
Pernambuco não está recebendo estaleiro e refinaria
e nem vai ganhar a Transnordestina porque berrou mais que
outras áreas concorrentes. Conseguiu porque se preparou
para isso. No mundo competitivo em que vivemos nem opoder
público e muito menos a iniciativa privada decidem-se
por investimentos em estados que não estejam adequadamente
servidos de infra-estrutura.
Não acreditamos como colocou o professor Sebastião
Barreto Campelo em artigo nesse espaço na semana passada,
enxergando uma possibilidade de disputa entre Pernambuco e
Ceará, que a Transnordestina se transformará
numa Transcearense. Da mesma forma não seria conveniente
que se transformasse numa Transpernambucana, como, propositadamente,
escrevemos no título deste artigo.
Que ela seja mesmo Transnordestina até porque só
se viabilizou economicamente por conta da ligação
com o município de Eliseu Martins, no Piauí,
o maior celeiro de grãos do Nordeste. Providência
que, como falamos acima, foi tomada com a presença
do nosso estado.
O professor Barreto Campelo tem razão ao se mostrar
receoso e respeitamos sua opinião mas se Pernambuco
for preterido no projeto não será por falta
de ação do governador e de sua equipe. O ramal
de Salgueiro a Suape terá 200 km a menos queo de Salgueiro
a Pecém, o que demonstra que será construído
mais rapidamente e com menor utilização de recursos.
Temos o Porto de Suape que está bem mais dotado de
condições para receber as cargas da ferrovia
do que o de Pecém. O estado não só já
iniciou os projetos executivos como já aprovou incentivos
à ferrovia e está criando as condições
para que Suape tenha um terminal exclusivo para a Transnordestina,
como desejam os investidores.
Isso não se faz aos gritos, impondo normas ou trocando
desaforos, como aconteceu em anos passados. Se faz com trabalho
e determinação, como convém às
disputas sadias e capazes de, aí sim, produzir frutos. |