Terezinha Nunes - Deputada Estadual
   
 
 
 

Nova Transnordestina integrará Pernambuco

Artigo publicado no Diario de Pernambuco
Data: 29 de maio de 2005

O estado de Pernambuco que, nos últimos seis anos, se preparou para atrair grandes investimentos, começa a colher os frutos das sementes que plantou, com muito sacrifício e obstinação, sob o comando do governador Jarbas Vasconcelos. Estão criadas as condições para recebermos uma refinaria de petróleo, estaleiro, pólo de poliéster, pólo farmacêutico e a tão aguardada ferrovia Transnordestina, um sonho que começou a se esboçar há mais de 50 anos.

É difícil hoje avaliar, estrategicamente, qual dos três principais investimentos citados - refinaria, estaleiro e ferrovia - terá maior capacidade de agregar valor à economia estadual em termos macroeconômicos ou no que se refere à geração de emprego e renda para a nossa população.

Não parece, porém, haver dúvida de que a Transnordestina poderá operar o milagre de fazer a integração econômica do Estado, estendendo seus benefícios pelos 847 quilômetros que terá em território pernambucano. Estima-se que ela venha a gerar 150 mil empregos em 10 anos, 25 mil durante a construção e os demais nos segmentos de agricultura, mineração, transportes, avicultura, suinocultura, construção e serviços públicos. Os 22 municípios por onde passará poderão, conforme estimativa técnica, elevar o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) de 6.5, em média atual, para 7.0 em 2011.

Além disso, ao contrário do projeto antigo que não tinha viabilidade econômica, o novo traçado da ferrovia fará o link entre a nossa economia e a pujante produção do cerrado nordestino, através do sul do Piauí, onde a produção de grãos (soja, milho, algodão e arroz) cresce 17% ao ano. O Porto de Suape, que ganhará um terminal de grãos exclusivo para atender à ferrovia, poderá se consolidar como o escoadouro da grande produção agrícola do cerrado rumo ao mercado externo.

Os resultados, porém, não se darão apenas em termos de exportações. Com a nova ferrovia, o pólo gesseiro do Araripe, que produz 2 milhões de toneladas anuais, pode vir a duplicar sua produção e a fruticultura irrigada do São Francisco contará com a possibilidade de utilizar o transporte ferroviário, bem mais barato do que o transporte aéreo.

A avicultura e a suinocultura pernambucanas se beneficiarão com os grãos do cerrado que aqui chegarão a um custo bem menor do que o grão argentino. Da mesma forma que a indústria têxtil terá algodão bem mais barato. Nossa produção de álcool pode vir a abastecer o cerrado, altamente consumidor de combustível, transportado pelos vagões que estarão bem mais disponíveis no sentido Suape-Piauí. As misturadoras de fertilizantes instaladas em Pernambuco terão grande vantagem competitiva para se tornarem as maiores fornecedoras de insumos para aquela região.

As regiões do Araripe e Salgueiro poderão ganhar grande pujança econômica com a Transnordestina. O Araripe pelos efeitos diretos sobre o pólo gesseiro e Salgueiro porque será o ponto de confluência da ferrovia que se bifurca no município, de onde saem os ramais rumo a Suape e rumo a Pecém. Além disso Salgueiro se transformará em ponto de transporte multimodal (ferroviário e rodoviário) pois é cortada pelas BR-316 e 116, podendo se constituir em plataforma logística de produtos que saem do Nordeste em direção ao Sul e Centro-Oeste e vice-versa.

Diante de tais perspectivas e com investimento previsto de R$ 4,1 bilhões a Transnordestina deixa de virar sonho e pode vir a ser o grande alavancador da economia pernambucana nos próximos dez anos. Se haviam dúvidas sobre a não execução do projeto elas vêm se dissipando a cada dia.

Na semana passada o protocolo de intenções a ser assinado pelo presidente na anunciada vinda a Pernambuco, com o prometeu ao governador Jarbas Vasconcelos, ficou pronto. O Governo do Estado, por sua vez, fez o dever de casa, pondo em execução todas as providências que lhe cabiam nesse sentido. Fez os projetos básicos dos trechos pernambucanos e está contratando os projetos executivos com licitação em andamento.

Da mesma forma, o Estado incluirá a Transnordestina nos investimentosbeneficiados pelo Prodepe e viabiliza a construção, pela iniciativa privada, de um terminal de grãos em Suape, exclusivo para a ferrovia. Mesmo com atraso de muitos anos, a nossa sonhada ferrovia está para sair do papel. Com todos os benefícios novos que agregou e como projeto pronto e financeiramente viabilizado.

   
 
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Jornalista responsável Margarette Andrea