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Porto Melhor
Artigo publicado no Jornal do Commercio
Data: 17 de julho de 2005
Cartão-postal do Estado de Pernambuco, a Praia de Porto
de Galinhas encontrava-se em 2002 em situação
preocupante: shows que varavam a madrugada, balbúrdia
generalizada, desacato à autoridade, notadamente nos
finais de semana, somavam-se a grandes danos ambientais provocados
pelo som alto e pela destruição dos ninhos de
tartarugas. O Pontal de Maracaípe, paraíso ecológico,
estava invadido por veículos cujos condutores praticavam
até os reprováveis cavalos-de-pau.
A tudo isso se somavam os problemas que por anos foram se
acumulando porque Porto foi preterida, por razões que
não cabe agora discutir, nos investimentos públicos
realizados no setor de turismo por décadas. Na segunda
metade dos anos 80, por exemplo, imaginando-se que a Praia
de Guadalupe seria o eixo futuro do turismo estadual, apostou-se
nesse destino e o Prodetur I foi concebido para beneficiar
aquela área, ficando Porto a Deus dará.
Uma parceria entre o Estado e o Município de Ipojuca
iniciada há dois anos, por solicitação
da Prefeitura - a quem cabe gerir as praias sob seu domínio
- e prontamente abraçada pelo governador Jarbas Vasconcelos,
colocou uma luz no fim do túnel. Em primeiro lugar,
através de legislação severa e fiscalização,
acabaram os shows à beira-mar, o som alto e o Pontal
foi fechado definitivamente para veículos. Uma força-tarefa
do Estado foi constituída para garantir segurança
e funcionamento regular do trânsito na região.
Obras de saneamento básico e abastecimento d´água
tiveram início e, em discussão permanente com
a população, um projeto de requalificação
urbana foi definido e se encontra em execução.
Ao mesmo tempo Porto de Galinhas entrou nas prioridades do
Estado para o Prodetur II, já tendo assegurados, quando
da liberação dos recursos deste programa, a
duplicação dos principais trechos da PE-09,
que também receberá uma ciclovia, e a duplicação
da atual rodovia que liga Porto a Maracaípe.
Apesar dos anos perdidos, em que Porto foi deixado em segundo
plano, limitada a investimentos privados muito bem-vindos
mas sem o acompanhamento das intervenções públicas
necessárias, as obras não podem, infelizmente,
como todos gostariam, ser feitas da noite para o dia. O alto
verão e o inverno rigoroso limitam o período
de trabalho no local a entre quatro e cinco meses por ano
e, mesmo nesse período, as obras só podem ser
tocadas de segunda a quinta - quatro dias por semana - para
garantir o emprego e o sustento dos que trabalham no local.
Não se pode, porém, por conta de transtornos
transitórios, voltar a deixar Porto ao abandono e com
dia e hora para virar um quase deserto, como chegou a acontecer
com Itamaracá. De forma corajosa, o governador não
só tem liberado os recursos necessários como
estimulado os investimentos na região. O prefeito de
Ipojuca, Pedro Serafim, tão logo reduzido o período
chuvoso, assumiu compromisso com a população
de cuidar da manutenção urbana, com a presteza
e a urgência que o caso requer.
Ruim e incompreensível seria Porto continuar como
estava - entregue à sanha dos que só querem
se divertir no presente, sem nenhum compromisso com o futuro.
Com os investimentos garantidos e programados ela continuará
sendo a porta de entrada do turismo para os nossos outros
destinos como Recife, Olinda, Igarassu - só para citar
alguns - e os pouco explorados municípios interioranos.
O poder público, assim como aconteceu com o setor privado,
que chegou na frente, está cumprindo a sua parte. Juntos,
com a participação dos seus moradores, poderemos
fazer com que Porto não só continue a ser dos
mais belos recantos de Pernambuco como também um local
agradável para se viver. |