Fiscalizado controla fiscalização
Artigo publicado no Blog do Jamildo
Data: 26 junho de 2007
Já estava no tempo de a EMTU, como está registrado
nos jornais de hoje, anunciar, finalmente, como seria feita
a licitação do sistema de bilhetagem eletrônica,
algo que vinha se arrastando desde o mês de janeiro.
Em que pese a iniciativa elogiável de dividir o processo
em três, sendo duas concorrências – uma
para o sistema de gestão e outra para a compra dos
cartões eletrônicos – o que permitirá
uma maior divisão do bolo; a decisão da EMTU
de entregar a terceira parte às empresas de ônibus,
que terão o direito de adquirir os validadores (para
leitura dos cartões nos
ônibus) e a tecnologia de comunicação
(leitura dos dados e envio dos mesmos para central do sistema),
deixa no ar uma preocupação.
Ao contrário do que acontece atualmente, quando o
estado (EMTU) tem o controle total dos dados do sistema de
transporte, as empresas passarão a comandar a parte
mais importante desses dados.
São elas que terão em mãos o processo
de leitura das informações e que alimentarão
os computadores da EMTU diariamente. O estado passará
a depender da iniciativa privada para saber quantas viagens
foram feitas pelos ônibus metropolitanos e quantos passageiros
cada um deles transportou.
O que teria levado a EMTU a abrir mão desse direito,
realizando só duas e não três concorrências
públicas?
Isso não está explicado na reprodução
feita pela imprensa da palestra proferida pelo presidente
da empresa durante audiência pública. Não
se pode afirmar que as empresas possam vir a alimentar em
proveito próprio os computadores oficiais, até
porque os empresários do sistema de transporte em Pernambuco
estão entre os melhores do setor a nível nacional,
mas não é conveniente ao estado abrir mão
de um direito sobre uma área sensível e de alto
alcance social, como é a do transporte público.
Não se pode alegar, nesse caso, que os empresários
vão adquirir os validadores e a tecnologia da comunicação
com recursos próprios e por isso ficarão com
o controle dos mesmos. O sistema de transporte é inteiramente
financiado pelos usuários. Tudo que é gasto,
inclusive pelas empresas, é contabilizado e, depois,
repassado ao custo da tarifa.
Tanto isso é verdade que, se o atual Governo, vai
custear os primeiros cartões do novo sistema, como
deixou a entender o presidente da EMTU, estes recursos terão
que ser repassados diretamente do tesouro para empresa. Procedimento,
aliás, realizado quando da implantação
do atual modelo, na gestão passada.
A não ser que alguma razão muito especial e
desconhecida tenha sido levada em conta pela atual direção
da EMTU para abrir mão de parte do sistema de bilhetagem
para as empresas, dar à iniciativa privada o direito
de alimentar os computadores oficiais é o mesmo que
transferir ao fiscalizado o direito de controlar a fiscalização.
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