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Interior cresce mais
Data: 22 maio de 2007
Do segundo semestre do ano passado para o início deste ano, uma falsa polêmica se estabeleceu nos meios políticos pernambucanos sobre um hipotético abandono do interior em relação ao Grande Recife. Chegou-se a apregoar, abertamente, que o interior estava estagnado, havendo necessidade de uma medida urgente para “corrigir” a distorção.
Não há dúvida de que em um estado carente como Pernambuco, estamos longe de corrigir todas as distorções e mudar, radicalmente, de rumo. Mas, em relação ao interior, a alegação está caindo por terra.
Em sua última edicão, a Revista Exame traz reportagem sobre a economia nordestina, acompanhada de um mapa com as dez cidades que mais crescem hoje na região. Pernambuco abriga três delas: Santa Maria da Boa Vista e Cabo de Santo Agostinho, com crescimento de 10% ao ano, e Toritama com 15% ao ano. Um percentual que está ao nível dos tigres asiáticos e hoje a Ásia é campeã nas taxas de crescimento em todo o mundo.
Das três cidades pernambucanas citadas só Cabo está no Grande Recife. As demais são no interior. Recentemente, Caruaru figurou com a cidade que mais cresce entre 25 campeães brasileiras do seu tamanho.
Mas as boas novas do interior não ficam por aí. Em tese de Mestrado em Gestão Pública na UFPe, a professora Suely Jucá Maciel, concluiu recentemente que, entre 1998 e 2003 – entre 2004 e 2006 o crescimento foi ainda maior - seis das 12 Regiões de Desenvolvimento em que o estado de Pernambuco está dividido, cresceram mais do que a Região Metropolitana.
Enquanto o Grande Recife cresceu, no período, 2,6%, o Sertão do São Francisco cresceu 7,8%, O Sertão do Pajeú cresceu 6,7%, o sertão do Moxotó – 4,3%, o Agreste setentrional – 4%, o Agreste Meridional – 3,1% e o Sertão Central – 3%. A Região Metropólitana ficou, portanto, em sétimo lugar no ranking.
Até no Grande Recife houve desconcentração no crescimento. A capital abrigava em 1998, 35,5% do PIB estadual. Hoje concentra 30,2%. Os demais municípios metropolitanos, que agragavam 28,3% do PIB, agora agregam 33,2%. Cinco por cento do bolo mudou de mãos em oito anos, beneficiando as áreas periféricas e, portanto, mais pobres.
Usando informações do Condepe/Fidem, a professora Suely aponta, como principal fator do crescimento interiorano, os investimentos estruturadores feitos com os recursos da privatização da Celpe e do tesouro estadual nos últimos oito anos. Cita entre outros, a duplicação da BR-232, as estradas da Uva e do Vinho, a Estrada do Gesso, as estradas que ligaram as cidades do Pajeú aos estados vizinhos, as adutoras, como a Sertão e de Jucazinho.
Dos R$ 3 bilhões e 125 milhões investidos pelo estado, o Grande Recife, que concentra mais de 40% da população, recebeu R$ 457,00 por habitante. Já no Ageste Central foram investidos R$ 603,00, por habitante, na Mata Sul – R$ 388,00; no Sertão do Moxotó – 380.00; no Sertão do Araripe – R$ 339,00 e no Sertão do Pajeú- 336,00. Há décadas essas áreas não recebiam tantos recursos.
É certo que o Grande Recife vai continuar se beneficiando com os investimentos em Suape, e o porto é apontado pela jornalista Carolina Meyer, da Exame, como um grande indutor de crescimento na Região Metropolitana. “ Em torno de Suape – diz ela – ergue-se um conglomerado de indústrias que não pára de crescer. São 74 rmpresas que geram 6 mil empregps e produzem de refrigerantes a produtos químicos”.
Consola, porém, saber que não só os novos investimentos de Suape vão fazer o bolo da economia pernambucana crescer, aumentando a capacidade de o estado continuar investindo no interior, como também o crescimento que já se observa nos municípios interioranos vai contribuir para tornar ainda maior a simetria que já está está se observando entre a RMR e o restante do estado..
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