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O governo estadual ainda não mostrou a sua
cara
Artigo publicado no Blog da Folha (www.blogdafolha.com.br)
Data: 14 março de 2007
Mais de 50 mulheres foram assassinadas no Grande Recife nos
dois primeiros meses deste ano – quase uma por dia.
O número de homicídios nesse mesmo período
não foi reduzido. Pelo contrário, o mês
de janeiro foi o mais violento desde 2003.
A par dessa realidade e da postura adotada pelo governador
Eduardo Campos durante a campanha, quando culpou o Governo
Jarbas de não ter combatido eficazmente a violência
e prometeu tomar para si a questão, comandando, pessoalmente,
as medidas nesta área, era de se esperar que a oposição
estivesse agora atirando pedras nos novos administradores.
Mas não é isso que vamos fazer. Entendemos
lá atrás, e continuamos com o mesmo pensamento,
que a questão da segurança, infelizmente, não
vai ser resolvida por um, dois ou até três ou
quatro governadores. O problema é muito mais complexo:
deve envolver todos os níveis de Governo e também
a sociedade.
Por isso consideramos um erro do atual governador usar a
segurança como mote de campanha e, ainda por cima,
prometer na televisão resolver o problema.
Mas vamos aos fatos. Em uma perspectiva de longo prazo o
governador começou a agir criando o Pacto pela Vida,
da mesma forma que Jarbas criou os Conselhos pela Paz. Pena
que, ao invés de continuar o projeto anterior, tenha
se partido para outro, com o simples objetivo de mostrar inovação.
Mesmo assim há de se considerar positiva a iniciativa.
No que se refere ao curto prazo, e a população
assustada cobra por isso, infelizmente, o governo ainda não
mostrou a sua cara e, portanto, não é possível
dizer se as medidas tomadas são adequadas ou não.
Elas, simplesmente, não existem. O que é lamentável
pois a eleição foi resolvida no mês de
outubro e já se passaram quatro meses desde que as
urnas foram fechadas. A nova equipe preferiu nesse tempo olhar
para traz, criticando a gestão anterior, do que elaborando
projetos e realizando ações.
A análise mais acurada, portanto, vai ter que esperar.
Aguardamos que se ultrapasse a fase de divulgação
de estatísticas já conhecidas para dar lugar
a respostas. Não precisamos mais saber que Pernambuco
é um estado violento. Precisamos sim é trabalhar
dia e noite para minimizar os efeitos desta imagem que tantos
problemas já nos causou e causa.
A falta de respostas, porém, não impede que
o atual governador passe a cobrar ações do Governo
Federal, do qual é aliado. E que nada tem feito pela
segurança. O presidente tem preferido usar sua conhecida
verborragia para falar do assunto como se morasse em outro
País. Enquanto isso só corta verbas e nada produz
no combate às raízes da criminalidade encrustradas
no tráfico de drogas e no contrabando de armas.
Por fim, apesar de não ter recebido este mesmo tratamento
no passado, a oposição está firme e disposta
a colaborar no que for possível para por fim aos nossos
altos índices de violência, aprovando projetos
do Governo que considerar importantes para se chegar a isso
ou mesmo criticando o que considerar errado mas sem pirotecnia.
Isso também é ajudar.
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