| O mosqueteiro do Senado
Artigo publicado no Jornal do Commercio
Data: 10 julho de 2007
“Este é o Jarbas que eu conheço.”
Esta frase tem sido repetida por militantes políticos
que acompanham a trajetória do senador Jarbas Vasconcelos,
desde ele que iniciou sua luta contra a ditadura. Referem-se
ao que o atual senador pernambucano vem tendo de destaque
no Congresso e na grande mídia nacional, desde que
assumiu seu mandato em Brasília. Há exatos cinco
meses.
Estando onde sempre esteve – ao lado da ética
– Jarbas voltou a ser o guerreiro como deve ser todo
parlamentar. O chefe do Poder Executivo, função
por ele exercida ao longo dos últimos anos, ora como
prefeito do Recife, ora como governador de Pernambuco, é,
naturalmente, mais comedido. Tem a responsabilidade de cuidar
da máquina pública, comandar uma equipe e, sobretudo,
representar todas as correntes: de situação
e de oposição.
Como membro de um Congresso que passou anos mergulhado em
um desgaste que parece não ter fim, ele levantou a
voz em busca de mudanças, e mudanças radicais,
nos costumes políticos. E começou por duas vertentes:
enfrentando o presidente Lula e agora o todo-poderoso senador
Renan Calheiros.
Quem conhece o senador pernambucano e o ouvia antes de chegar
a Brasília, quando falava sobre a condução
do seu mandato, sabia que ele não calaria na hora em
que fosse necessário falar. E que nada temeria, muito
menos as ameaças veladas que o senador Calheiros passou
a fazer aos senadores no momento em que se viu perdido.
Jarbas não deixou por menos – “quem vai
prá chuva é para se molhar” – respondeu
a Renan. As notícias da imprensa nacional dão
conta de que essas mesmas ameaças Renan andou fazendo
ao governo federal e à base aliada no Congresso, pelo
visto com proveito pois até o presidente Lula passou
a defendê-lo, preocupado com a possibilidade de mais
escândalos eclodirem.
Desde que chegou a Brasília, o senador fez pronunciamentos
duros e alertas importantes, todos mostrando sua indignação
com a falta de vontade, coragem e, sobretudo, determinação
do presidente da República para comandar o País
como deve ser. Fez pronunciamentos de oposicionista convicto,
sem temer o desgaste no embate com um presidente que consegue
manter alta popularidade, apesar de comandar uma equipe muitas
vezes mergulhada no caos.
No Congresso fugiu de imediato ao lugar-comum que pontua
hoje os legislativos brasileiros onde a letargia do “é
isso mesmo”, “foi sempre assim”, “nada
se poder fazer”, associou-se ao corporativismo e vinha
ou vem conseguindo calar muitas vozes.
Como disse a revista Veja, estava na hora de surgirem os
“mosqueteiros” que ela nominou como os senadores
Jarbas, Pedro Simon, Jefferson Peres, Eduardo Suplicy e Demóstenes
Torres e do deputado federal Fernando Gabeira, para que o
povo brasileiro passasse a ter confiança na possibilidade
de recuperação da imagem do legislativo.
Claro que existem no Congresso outras pessoas tão
comprometidas com a ética como os já citados,
inclusive na brava delegação pernambucana. Só
para citar o Senado, o senador Sérgio Guerra foi destaque
ao falar no Conselho de Ética na semana passada, defendendo
uma postura mais dura em relação a Renan, e
o senador Marco Maciel, foi um dos redatores da nota oficial
do DEM que exigiu a renúncia do senador alagoano. Mas,
como em todas as lutas, uns se antecipam mais, abrindo caminho
para que outros venham depois.
Jarbas nunca foi de esperar. Postou-se à frente e
abriu o espaço para que surgisse uma luz no fim do
túnel. Agora é torcer para que todo o Congresso
acorde e faça o País como um todo se orgulhar
dos votos colocados nas urnas em outubro de 2006.
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