Terezinha Nunes - Deputada Estadual
   
 
 
 

06 de março é a Data Magna

Artigo publicado no Diario de Pernambuco
Data: 11 de dezembro de 2007

Encerrando uma mobilização que teve início na capital e se estendeu para todas as regiões do nosso estado, englobando jornais, emissoras de rádio e TV, - além da votação via Internet - a população pernambucana escolheu o dia que deseja ver transformado em Data Magna de Pernambuco: 06 de março, aniversário da Revolução Constitucionalista de 1817, insurreição que, há exatos 190 anos, impôs a primeira derrota em terras brasileiras ao então, ainda poderoso, império português e produziu, em consequência, o nosso primeiro mártir da liberdade – o Frei Caneca.

A escolha, além de democrática, já que cinco datas estavam em votação, todas escolhidas pelo Instituto Histórico e Geográfico e pelo historiador Leonardo Dantas Silva, representou para muita gente um reencontro com a história de Pernambuco. No afã de participar e, sobretudo, de dar sua contribuição, muitas pessoas, principalmente no interior, tentaram aumentar o número de datas, incluindo o nascimento de mitos como Luiz Gonzaga e Joaquim Nabuco e até o da figura respeitável historicamente, mas, ao mesmo tempo controvertida, como é o caso de Lampião.

Houve também municípios que fizeram mobilizações particulares em torno das datas que lhes são mais caras como Goiana, onde se deu a Convenção de Beberibe, em 05 de outubro de 1821, e Olinda onde, em 10 de novembro de 1710, Bernardo Vieira de Melo deu o primeiro grito de República de que se tem notícia na América do Sul.

A votação, realizada na medida em que o debate se aprofundava, incentivado pelos meios de comunicação, que, para se fazer justiça, foram os reais responsáveis pela mobilização democrática que se realizou no estado, caminhou no início em torno das datas marcadamente municipais e de uma que comoveu a muitos – o 13 de janeiro, dia de aniversário da execução do Frei Caneca, no Largo das Cinco Pontas.

Mas nem mesmo a Restauração Pernambucana que se imaginava, no início, vir a vencer o desafio, teve fôlego, no final, para superar o 06 de março que começou tímido, mas foi se consagrando durante quase um mês de discussões em escolas, ruas e praças.

Na verdade, sem querer desmerecer qualquer uma das datas – todas elas importantes e representativas do irredentismo pernambucano – a Revolução Constitucionalista de 1817 é tida pelos historiadores, e o povo entendeu isso muito bem, como a mãe das revoluções pernambucanas.

Não é à toa que das cinco datas inicialmente selecionadas pelos historiadores, três tinham a ver com este movimento: o próprio 06 de março, quando eclodiu a revolução, a Convençao de Beberibe, considerada uma consequência de 1817 e a execução de Frei Caneca.

A Revolução de 1817, ao contrário da Restauração Pernambucana, movimento que teve a participação de muitos pernambucanos, mas sob a orientação do império português, desejoso em expulsar os holandeses da costa brasileira, juntou pernambucanos de todas as classes, raças e credos, baseou-se em uma Constituição em que estavam assegurados os direitos humanos e a liberdade de imprensa e durou quase dois meses com governo próprio, tropas pernambucanas e até com embaixadores designados para países vizinhos.

Sua eclosão é apontada como a primeira afronta real ao domínio do Império Português, respeitado e temido, na época, em todo o mundo, mas, principalmente, nas colonias. A Inconfidência Mineira, hoje celebrada nacionalmente e escolhida como Data Magna de Minas Gerais, foi um movimento abafado antes mesmo de irromper e ficou muito mais conhecido como uma luta contra o pagamento de impostos a Portugal, realizada pelas elites, não expressando, como aconteceu em Pernambuco em 1817, um movimento de base, democrático e popular.

Se em Minas foram mortos Tiradentes e mais alguns inconfidentes aqui para a retomada do poder uma luta sangrenta redundou na morte de mais mil pernambucanos – alguns tiveram as cabeças exibidas em praça pública para impedir novas rebeliões. Além do vanguardismo e do avanço de suas propostas, a Revolução de 1817 até hoje é ressaltada em um dos símbolos do nosso estado, a nossa Bandeira atual, a mesma dos revolucionários daquela época e hoje vestida, com orgulho, pelos pernambucanos de todas as idades.

O projeto de criação da Data Magna ainda vai ser votado pela Assembléia Legislativa. Cabe aos deputados decidir se será ou não feriado este dia, como acontece em todos os estados no que se refere à Data Magna. Tanto os do sul, como o Rio Grande do Sul, que comemora a Revolução Farroupilha; e do sudeste, como São Paulo; que celebra a Revolução Constitucionalista de 1932 e Minas, a Inconfidência Mineira. No Nordeste, a Bahia escolheu a Independência Baiana, o 02 de julho, também feriado estadual.

Independente de ser ou não feriado, o importante é que o estado comemore sua Data Magna com uma grande festa democrática e popular, como fazem os demais estados da federação. Afinal, Pernambuco é, sem sombra de dúvida, o estado brasileiro que tem a mais rica história de lutas libertárias. Tão fortes que, certamente pelo temor dos mandatários da época e dos que os sucederam, foram jogadas no esquecimento ou apenas restritas aos livros de história tão pouco lidos, infelizmente, nos dias de hoje.

   
 
© Copyright 2007 - Gabinete da Deputada Estadual Terezinha Nunes
Jornalista responsável Margarette Andrea