|
FHC, Lula e Pernambuco
Artigo publicado no Diario de Pernambuco
Data: 04 de junho de 2008
Muito tem se falado a respeito do grande volume de investimentos que Pernambuco está recebendo. E quase sempre se atribui tudo que está acontecendo - sobretudo entre os políticos governistas - ao presidente Lula e, em segundo plano, ao governador Eduardo Campos, como se fosse possível operar milagres e nosso estado tivesse sido descoberto há poucos anos.
Ledo engano. Para começar, o estaleiro e a refinaria foram garantidos no tempo do governador Jarbas Vasconcelos e só foram possíveis por conta do Up Grade que a última administração realizou na infra-estrutura do estado e a recuperação das finanças públicas, que se encontravam em frangalhos no final de 1998.
Agora o ciclo se completa com a revelação dos números reais, e não imaginários ou virtuais, como teimam em citar os governistas, sobre o que realmente Pernambuco recebeu nos governos de Fernando Henrique ( últimos quatro anos) e no governo Lula ( primeiros quatro anos).
A Execução Orçamentária da União de 1999 a 2006 mostra que, entre 1999 e 2002, quando FHC era presidente, o investimento total do Governo Federal em Pernambuco foi de R$ 10 bilhões e 405 milhões. Já de 2003 a 2006 ( governo Lula) os investimentos totais no estado não passaram de R$ 9 bilhões e 814 milhões, 6% a menos.
Era de se esperar que, pelo menos no ano de 2007, o primeiro da administração Eduardo Campos, a tendência se invertesse mas não foi isso, infelizmente, o que ocorreu. Os investimentos totais da União no estado que, em 2006, tinham sido de R$ 2 bilhões e 705 milhões foram, em 2007, de R$ 2 bilhões, 689 milhões.
Poderíamos imaginar que, apesar desses inúmeros irrefutáveis e irrespondíveis, o Governo Federal tivesse encontrado outra forma de compensar o estado, tido e havido como prioritário para o presidente. Mas isso não vem acontecendo. Pernambuco foi, por exemplo, o estado que teve maior volume de contingenciamentos nas emendas que os parlamentares conseguiram colocar no Orçamento da União de 2007. PerdemosR$ 232 milhões, mais que Minas Gerais e São Paulo, por exemplo.
Alguns argumentarão que o bolsa-família vem compensando todas as perdas mas, em primeiro lugar, o bolsa-família é um programa federal e destina-se, igualmente, a todos os estados, não sendo um programa pernambucano, e, em segundo lugar, no governo FHC Pernambuco teve o bolsa-escola e o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil em que o estado contou com 149 mil (cerca de 20%) das 800 mil bolsas criadas em todo o país.
Não se pode, evidentemente, tirar de Lula o mérito de estar querendo ajudar Pernambuco e, sobretudo, anunciar isso, o que é um importante sinalizador para os investidores privados. Não se pode também negar que o estaleiro e a refinaria, quando construídos, vão causar grande impacto sobre a economia estadual. Mas, até agora, os investimentos não passam de intenção, inclusive os do PAC que não estão saindo do papel por conta dos entraves burocráticos.
A verdade é que, por mais que se propague e se encha as manchetes de cifras astronômicas, os investimentos não estão ocorrendo com a celeridade esperada e não se tem certeza de que isso vai acontecer até a conclusão do atual mandato presidencial. É necessário, portanto, que, não só se louve as boas intenções, mas, sobretudo, que se cobre do Governo Federal a prioridade prometida. Para não termos que chorar depois sobre o leite derramado.
|