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O Dia de Pernambuco
Artigo publicado no Diario de Pernambuco
Data: 01 de novembro de 2007
Poucos Estados brasileiros têm, como Pernambuco, datas históricas expressivas, merecendo comemoração. Apesar disso, ao contrário de todos os demais Estados, Pernambuco não possui uma Data Magna, um dia do ano em que se celebre algum feito importante, merecedor de destaque e capaz de, pelo exemplo, servir de estímulo às novas gerações e de contribuir para a melhoria da auto-estima do nosso povo, tão carente de reconhecimento pelo que já produziu para o engrandecimento nosso e de nosso País.
Minas Gerais, de tanto lembrar a Inconfidência Mineira, que, inclusive, deu nome a uma medalha, transformou a execução de seu líder, Tiradentes, em acontecimento nacional. Rio Grande do Sul faz grandes comemorações, há tempos, celebrando a Revolução Farroupilha, São Paulo lembra uma data mais recente, a Revolução Constitucionalista de 1932. Pernambuco, que tem um herói como Frei Caneca, protagonista de duas revoluções de forte conteúdo social e político, sequer lembra a data em que ele foi executado.
Mas a necessidade de perpetuar nossas conquistas não se resume ao dia da execução de Frei Caneca, 13 de janeiro. O Instituto Histórico, Artístico e Geográfico de Pernambuco, lembrou, há poucos dias, outras datas importantes para o Estado como o 27 de janeiro, aniversário da Restauração Pernambucana, que culminou com a expulsão dos holandeses; o 06 de março, aniversário da Revolução Pernambucana Constitucionalista de 1817; 05 de outubro, aniversário da Convenção de Beberibe, quando expulsamos o nosso último governador português e empossamos o pernambucano Gervásio Pires; e o dia 10 de novembro, aniversário do primeiro grito de República no Brasil, dado, no Senado de Olinda, por Bernardo Vieira de Melo.
A ausência de comemoração dessas datas é algo contemporâneo. Até porque, no seu tempo, as revoluções pernambucanas deixaram grandes marcos em nossos próprios símbolos. A atual bandeira estadual, por exemplo, é a mesma dos revolucionários de 1817. O grito de República, de Bernardo Vieira de Melo, está no Hino de Pernambuco que afirma "A República é filha de Olinda, alva estrela que fulge e não finda.."
Nesse sentido, a Assembléia Legislativa, que tem como patrono um revolucionário das idéias, Joaquim Nabuco, tomou a iniciativa de instituir, através de lei, a data magna de Pernambuco. De nossa autoria, o projeto tornou-se coletivo, na medida em que está subscrito por todos os deputados, independente de conotação partidária ou ideológica. Tornou-se, portanto, patrimônio do Poder Legislativo Estadual.
A Assembléia não tem a pretensão de estabelecer uma data, deixando aos pernambucanos, a iniciativa de escolher, através de consulta popular, que será feita no mês de novembro pelos órgãos de imprensa do estado, incluindo jornais, emissoras de rádio e TV, o dia em que o estado deverá lembrar uma conquista histórica de magnitude.
As datas magnas estaduais ficaram oficializadas através da Lei 9.093 de 12 de setembro de 1995, aprovada pelo Congresso. Pernambuco, portanto, que sempre celebrou, como os brasileiros em geral, as datas nacionais de reconhecimento histórico, poderá agora, com, infelizmente, atraso de séculos, ter o seu próprio dia.
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