Terezinha Nunes - Deputada Estadual
   
 
 
 

Mulheres na política

Artigo publicado no Jornal do Commercio
Data: 1º março de 2007

Está próximo o dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher. O que comemorar? Muito, podemos dizer, se compararmos a evolução da presença feminina na sociedade como um todo. Pouco, pode-se observar, se decidirmos analisar a presença das mulheres na política. Sobretudo em nosso Estado, Pernambuco.

Apesar de alguns avanços notáveis, como o fato de hoje as mulheres poderem ocupar 30% das vagas destinadas aos partidos nas eleições – coisa que vigora para todo o País, diga-se de passagem – é difícil imaginar quando as mulheres vão poder dividir com os homens os cargos públicos, na real proporção da participação feminina na sociedade – mais de 50% do eleitorado. Basta recorrermos à ponta do lápis. Nas últimas eleições, as mulheres só conseguiram ocupar uma das 25 vagas de deputados federais do estado, com a vitória de Ana Arraes – antes só a brava Cristina Tavares, a pioneira, havia conseguido ultrapassar essa barreira –, temos apenas seis mulheres na Assembléia Legislativa (pouco mais de 12% dos 49 deputados), e, analisando só o caso do Recife, apenas duas mulheres conseguiram se eleger vereadoras em 2004.

Em alguns casos experimentamos retrocesso. Para a Assembléia, em 2002, oito mulheres – duas a mais – conseguiram se eleger. Também nos cargos de relevância do Estado, ambiente propício para o surgimento de candidaturas, Pernambuco, que chegou a contar com quatro secretárias estaduais no governo Jarbas, tem, no momento, apenas uma, mesmo assim em secretaria específica (Secretaria das Mulheres), sendo inconcenbível que fosse entregue a um homem. Nas eleições majoritárias, em relação ao sexo feminino, Pernambuco seguramente é o Estado menos avançado do Nordeste. Disputamos o último lugar com o Piauí. Ao contrário da Bahia e Ceará, só para citar esses dois, nunca elegemos uma mulher prefeita de capital – Olinda já teve e tem prefeita mas Recife não. Muito menos uma governadora, como o Rio Grande do Norte e o Maranhão.

Também nunca tivemos senadoras, como Ceará, Sergipe, Maranhão, Alagoas e Paraíba. Sinal dos tempos? Pode ser. Afinal, Pernambuco teve, na época da colonização, a primeira mulher a assumir um cargo público de relevância com dona Brites de Albquerque, esposa de Duarte Coelho, que ficou comandando a nossa capitania quando o marido voltou para Portugal, sendo a primeira mulher a exercer função executiva de relevo na América Latina. Os motivos para que o exemplo de dona Brites não prosperasse são desconhecidos, pelo menos não conhecemos uma tese ou uma pesquisa discutindo o assunto, mas, em pelo menos um aspecto, dá para arriscar um palpite.

Os quadros políticos no Brasil, e Pernambuco não é diferente, ainda se formam, em percentual elevado, no ambiente familiar e dificilmente um pai aposta em uma mulher na vida pública se tem um filho que possa lançar primeiro. O caso mais conhecido entre nós é o da ex-deputada estadual Ana Cavalcanti, que substituiu o irmão, falecido a poucos dias do pleito. Antes a família não enxergara o seu potencial, que era alto. Se no próprio ambiente familiar é assim, como a sociedade vai reagir diferente? Seria o exagerado machismo o culpado por tudo isso?

Novamente só um estudo sociológico para responder mas, sem sombra de dúvida, no dia em que a mulher depender menos do âmbito familiar para chegar à política, vai andar com muito mais celeridade e confiança. Exemplos em outros Estados já se tem de sobra e no mundo eles se multiplicam a cada dia. Na Alemanha, a primeira-ministra é uma mulher, Angela Merkel. Elen Sirleaf foi eleita presidente da Libéria. Michelle Bachelet comanda o Chile, pertinho de nós.

Hilary Clinton desponta como candidata favorita a presidente dos Estados Unidos, onde uma mulher comanda atualmente o parlamento, e, na França, a socialista Segolene Royam lidera as pesquisas para a presidência. No passado tivemos Margaret Thatcher, na Inglaterra, e Indira Ghandi, na Índia. E nas últimas eleições braileiras, uma mulher, Heloisa Helena, chegou a 10% das intenções votos para a presidência da República. Com raras exceções, essas mulheres não aguardaram o reconhecimento familiar. Foram em frente, lutaram e venceram. Do contrário poderiam permanecer até hoje como ilustres desconhecidas.

   
 
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Jornalista responsável Margarette Andrea